340 LIVROS

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Os fãs de séries com certeza conhecem Gilmore Girls. Em português também chamada de “Tal mãe, tal filha”, é ambientada em uma pequena e cativante  cidade dos Estados Unidos. Lorelai é uma  mãe solteira que tem como melhor amiga e confidente sua filha, uma menina superinteligente  que tem o sonho de cursar jornalismo em Harvard e ser correspondente internacional. Recheada de personagens  e diálogos interessantes, conta  com  nada menos que 340 referências a livros  durante suas temporadas.  Rory Gilmore diz viver em dois mundos, e um deles é o mundo dos livros. Em muitas cenas ela está envolvida no mundo literário. Lendo, comprando, organizando ou falando sobre os seus livros. Estava sempre lendo mais de um livro –  tinha um em casa, na faculdade, na bolsa. Até em um baile de formatura foi flagrada com um livrinho na bolsa, caso a festa ficasse chata. Garota esperta.

A  extensa e eclética lista se transformou até em um desafio  literário. Você encontra facilmente a lista completa na internet, procurando por desafio Rory Gilmore. Alguns destaques são: “ 1984”, de George Orwell, “Cem anos de solidão”, Gabriel Garcia Marquez, “Admirável mundo novo”, Aldous Huxley, “Frankenstein”, Mary Shelley, “A metamorfose” de Kafka. “ Filha da fortuna” e “Eva Luna”, de Isabel Allende, “O código da Vinci”, Dan Brown, “Harry Potter” , J.K. Rowling, “O morro dos ventos uivantes”, Emily Bronte. Nas leituras dessa querida personagem  você com certeza encontrará inspiração, confira a lista completa e me conte por e mail.

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Walden

THOREAU EM BUSCA DA ESSÊNCIA DA VIDA

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Em 1845, desgostoso com o crescente comercialismo da sociedade americana, Thoreau deixou sua cidade natal para instalar-se a beira do lago Walden. Publicado  em 1854 com o título Walden ou A vida nos bosques, o livro é o relato do tempo  em que seu autor viveu isolado da sociedade dos homens, suprindo as suas próprias necessidades, estudando, contemplando a natureza e conhecendo a si mesmo.

Como disse Eduardo Bueno, Thoreau foi uma espécie de Julio Verne que, em vez de descrever as maravilhas do futuro, anteviu os desatinos de um modelo desenvolvimentista que nunca levou em conta a preservação da natureza. Previu o advento de um consumismo viciante, viu os tempos em que a privacidade se tornaria um bem descartável. Preferiu se retirar para trocar as penas. Junto aos patos, longe dos lunáticos. Mesmo tantos anos depois,  e com todo o apreço que tinha pela solidão, Thoreau continua nos convidando hoje para nos unirmos a ele em sua cabana e discutir temas que continuam atuais.

“Não se incomode muito em ter coisas novas, sejam roupas ou amizades. Torne-as do avesso, retorne a elas. As coisas não mudam, mudamos nós. A humildade, tal qual a escuridão, revela as luzes celestiais. É a vida perto do osso a mais doce. “

“Aprendi com minha experiência :se o homem segue confiante rumo aos seus sonhos e se empenha em viver a vida que imaginou, ele terá sucesso inesperado em momentos comuns. Deixará coisas para trás, cruzará fronteiras invisíveis. A medida que  simplifica sua vida, as leis do universo se mostrarão menos complexas”

Walden – H.D. Thoreau . L&PM Pocket,2011 .

Harry Potter

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Em 2017 a saga  Harry Potter comemora 20 anos de  lançamento. Estou relendo todos os livros  durante esse mês, e obviamente mergulhada e maravilhada com o universo de Hogwarts e toda a sua magia. Como a própria autora disse em seu Twitter: “Vinte anos atrás  um mundo onde eu vivia sozinha foi aberto repentinamente para os outros. Tem sido maravilhoso. Obrigada”.

Com uma distribuição inicial muito pequena,  o primeiro livro da série passou quase despercebido. Nas sessões de leitura, a autora recebia pouquíssimas pessoas. O sucesso não demorou e logo a obra era disputada por várias editoras. Segundo o blog da Estante virtual, o processo de criação da autora foi baseado em algumas tragédias pessoais como a morte de sua mãe, depressão, desemprego e divórcio.  Os dementadores, guardas da prisão de Azkaban  que tem o poder de sugar toda a alegria e energia de quem está perto e fazê-lo lembrar das piores experiências vividas são uma representação física da sua depressão.

A editora sugeriu que a autora não usasse seu primeiro nome, Joanne,  com medo que o fato de ser mulher afetasse as vendas. Então, se tornou mundialmente famosa como J.K. Rowling. Toda uma geração foi influenciada e  despertou o amor pela literatura  começando pelas aventuras de Harry Potter. Oito filmes, sete livros , vinte anos ,muita aventura e fantasia se passaram. O bruxinho mais amado da literatura não dá mostras de cansaço e não será esquecido tão cedo. Vale ler e reler sempre que quiser sonhar.

José Mauro de Vasconcelos

JOSÉ MAURO DE VASCONCELOS

O escritor José Mauro de Vasconcelos foi um grande sucesso de vendas em meados dos anos 60 e 70. De família  pobre, passou por muitas dificuldades. Queria ser nadador profissional. Foi treinador de boxe, agricultor, operário, garimpeiro, carregador de bananas, ator, locutor de rádio, escritor. Iniciou diversos cursos superiores, mas foi como escritor que encontrou o sucesso. Hoje te convido a  conhecer ou reler a obra desse grande escritor  brasileiro.

Quem passou dos quarenta anos tem, com certeza, lembranças do livro “O Meu pé de laranja lima”. Quem não chorou com a sensibilidade com que a infância de Zezé é retratada? A pobreza, a solidão e o desajuste social  vistas pelos olhos ingênuos de uma criança de seis anos nascida em uma família pobre e numerosa. Por meio de conversas com seu pé de laranja lima, revela seus sonhos e desejos, mostrando-nos um traço da infância do próprio autor. Aclamada pelo público, a obra de José Mauro é ainda muito procurada nos sebos do Brasil, e segue sendo queridinha dos leitores. Entre os mais vendidos estão “Banana brava”, “Rosinha, minha canoa”, “ Coração de vidro” e “As confissões do Frei Abóbora”.

“Rosinha, minha canoa é um livro simples e puro, que nos fala de um sonho  que dorme em todos nós, o sonho de voltar à natureza”, disse Herculano Pires  no Diário da Noite –SP, em 1963. O mesmo Diário, em 1968, nos diz  “… pois o livro(O meu pé de laranja lima) é tido como  uma espécie de Bíblia Sagrada para ajudar os adultos  a entenderem a criança. Para ajudar quem vive bem a compreender o que é Papai Noel para uma criança pobre”.pé

LEITURA LEVE

LEITURA LEVE

Passamos da metade do ano. Nossas metas e promessas defrase-mary-poppinsleitura começam a se tornar uma lembrança distante mais uma vez não cumprida. Hoje trago sugestões leves para te ajudar a impulsionar a leitura ainda em 2017.

“O clube do tricô”, Kate Jacobs. Georgia é dona da Walker & Daughter, uma loja de produtos para tricô em Nova Iorque. O que começou como uma série de encomendas de suéteres e cachecóis acabou se transformando na loja sensação da temporada. A proprietária aceita receber as clientes uma vez por semana para aulas de tricô. As mulheres  passam a ser atraídas por muito mais que pontos e laçadas, trazendo seus sonhos e desafios pessoais. Tornam-se grandes amigas e descobrem que fizeram dele muito mais do que um clube. A loja torna-se um lar.

“ A garota italiana”, Lucinda Riley. Aos 11 anos, Rosana conhece o cantor Roberto, uma estrela em ascensão no mundo da ópera. Apaixonada, se dedica também ao canto lírico até que ambos se encontram nas salas de concerto mais famosas do mundo, dividindo o palco e o destino. Uma linda historia de amor, obsessão e música.

“As queridinhas do meu marido”, Bridget Asher. Lucy tem de enfrentar a doença terminal de seu marido e ainda conviver com a descoberta de sua infidelidade. Uma noite, exagera na bebida e resolve ligar para todas as “queridinhas” que tiveram casos de amor com Artie e  convidá-las a dividir o fardo dos cuidados com o doente e acertar as contas com ele. Para sua surpresa, muitas delas aparecem  e com algumas Lucy forma uma espécie de família.

DEDICATÓRIAS

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Quando damos um livro de presente  é comum escrevermos uma dedicatória. Queremos dividir um livro que nos impacta positivamente  com as pessoas que nos são mais queridas, e o enviamos com uma mensagem adicional de carinho, como se fosse uma receita médica, uma recomendação de leitura e bom uso.

O livro, como um bem material que é, segue sua própria trajetória, e acaba sendo perdido, doado, vendido. E aquela dedicatória tão carinhosa vai junto. Triste? Não acho. Uma das melhores experiências que podemos ter comprando livros usados é justamente compartilhar a memória dos leitores anteriores. Sempre fotografo as dedicatórias, compartilho em minhas redes sociais e fico imaginando em que circunstâncias foram escritas.  Amores que caíram no esquecimento, fases da vida que passaram, interesses que já não fazem parte de nossa vida. Todos eles, com sorte, vêm parar nos sebos. Quem compra em sebo costuma apreciar justamente essa memória, e vai vê-la também com carinho. Às vezes encontro bilhetes, receitas, cartas, flores secas. “Tia Maria, o sorvete estava delicioso, papai vem te buscar na quinta”. “Este livro foi encontrado na lixeira do
Hospital Escola de Itajubá” . “Rafael, leia um capítulo por dia”. “Isaura, felicitações pela formatura no ginásio”.  “Parabéns por ter vencido o concurso de redação”.

Décadas se passaram desde que os volumes foram ofertados. Seus donos podem até já nem estar entre nós. Porém, algum leitor ainda pode sonhar  e imaginar aquela vida. Alguns, mais visionários, deixam recados objetivos para os próximos leitores. Deixe também. É uma forma de deixar seu legado como leitor.

JOGO DO CONTENTE

POLLY

Existem livros que nunca saem de moda. O tempo passa  e o interesse continua firme . Um exemplo? É só dizer: “Recebi Pollyanna, de Eleanor Porter”,e meu Whatsapp começa a  se encher de mensagens interessadas. Confesso que nunca havia lido, mas todo esse interesse  despertou minha curiosidade tardia.

Pollyanna fica órfã e vai morar com um parente, em uma cidade distante. Sua vida  era  pobre  como filha de um pastor, mas na casa de sua rica tia, rodeada de criados e jardins, experimentou a miséria da rejeição. Seu pai havia lhe ensinado uma maneira de lidar com as adversidades:  fazer o jogo do contente. Para toda a situação ruim, sempre ver o lado bom, por mais difícil que fosse.  Eis que a menina contagia todos que a cercam, ensinando aos doentes, aos carrancudos, aos rabugentos, aos magoados uma maneira singela de enfrentar a vida com um sorriso no rosto.

Descobri então o segredo do sucesso dessa personagem tão querida. Em tempos de crise, desemprego, de bombardeio de notícias ruins, como viver sem fazer o “jogo do contente”? Como empreender, como criar filhos, como manter um casamento em tempos de notícias alarmantes e relacionamentos líquidos? Em muitas ocasiões, só respirando fundo e fazendo um esforço consciente para sermos gratos pelo que temos.

“O que as criaturas querem é encorajamento. Em vez de censurar  os defeitos de um homem, falai às suas  virtudes. Procurai tirá-lo da senda dos maus hábitos. A influência de um belo caráter é contagiosa, e pode revolucionar uma vida inteira. As criaturas irradiam o que trazem no cérebro e nos corações. Se um homem se mostra gentil e serviçal, seus vizinhos pagarão na mesma moeda e com juros… quem procura o mau, é certo que o encontra,. Quando alguém  procura o bom, encontra o bom”.

QUANDO EU VOLTAR A SER CRIANÇA

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Nas últimas semanas acompanhei um debate na página “Infância livre de consumismo”. Como é costume nas redes sociais, leitores se inflamaram discutindo a possibilidade de voos, restaurantes, hotéis “child free”, ou seja, locais onde crianças não são bem vindas. Alguns confundiram com o movimento de mesmo nome, em que as pessoas optam por não ter filhos. Polêmicas e opiniões a parte, com isso lembrei-me do livro “Quando eu voltar a ser criança”, de Janusz Korczak , uma obra imprescindível para quem trabalha  e convive com crianças. Empatia, essa é a palavra que define esse livro tão delicado. Nele, o autor não discursa sobre a  infância, mas sente na pele os desencantos, sensações e tristezas de uma criança, vendo o mundo através de seus olhos.

Janusz Korczak amou e dedicou-se tanto às crianças, que fez a última viagem com um grupo delas para os campos de concentração. Quando foi decretada a liquidação do gueto onde tinha um orfanato, o velho doutor reuniu as crianças em fileiras e marchou junto a elas, inconsciente de seu heroísmo. Um homem simples que não imaginava o quanto seria célebre. Toda a afetação lhe era estranha. A afetação hoje nos é muito comum. Uma criança  quando chora , corre  e grita em um avião, um restaurante, uma celebração religiosa nos irrita, não sejamos hipócritas. Personalidades brilhantes nunca se afastaram dos pequeninos, e isso deve nos levar à reflexão.

“Vocês dizem: Crianças nos cansam. Precisamos descer ao seu nível de compreensão. Descer, rebaixar-se, ficar curvado. Estão equivocados. O que nos cansa é o fato de nos elevarmos até alcançar o nível dos sentimentos das crianças. Elevar-nos, subir, ficar na ponta dos pés, estender a mão para não machuca-las. “

LER PARA OS OUTROS

PREÇO

Todos nós ouvimos histórias desde a infância. Histórias familiares – os velhos e bons “causos” – que, de tanto serem repetidos começam a mesclar realidade e fantasia. Clássicos infantis, histórias bíblicas e até fofocas, tudo isso é repassado no “boca a boca”.

Quando estou lendo e gostando muito do que está escrito, quero compartilhar com alguém. Então tiro uma foto pra postar nas redes sociais, tiro uma foto do trecho  escolhido para compartilhar com os amigos e guardar para anotar posteriormente. E se tenho pessoas por perto, muitas vezes começo a ler em voz alta. Para minha decepção, nem sempre as pessoas para as quais eu leio sentem a mesma empolgação. Claro, pois um trecho fora do contexto e  em um momento inadequado pode não tocar em nada o interlocutor. Por outro lado, pode despertar a curiosidade e melhorar a qualidade das conversas. Nas semanas anteriores falei do tédio, da solidão e do silêncio que por vezes busco a fim de me reabastecer. Falamos sobre “O poder dos quietos”. E agora venho falar de quando tudo o que foi refletido extravasa, e não aguentamos guardar só para nós. Sabendo onde, quando e de que forma “plantar” um trecho lido em voz alta, talvez até consigamos colher mais alguns leitores.

Leia sozinha, leia para seus filhos, não importa que eles já pareçam crescidos para isso. Leia para as pessoas que moram com você, tire uma foto de algum trecho e compartilhe.  Há muitos pelo mundo gritando maldades e besteiras. E muitos guardando tesouros dentro de si. Há o tempo de calar, e o tempo de falar bem alto.

 

TÉDIO- O VILÃO DOS TOLOS

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Tenho ouvido de várias pessoas a seguinte frase: “eu lia tanto, agora não consigo mais  me concentrar, queria tanto ler novamente”. Sempre respondo incentivando e dizendo para voltar aos poucos, ler algumas páginas ao dia e logo  terá “fôlego’ de leitura e um bom hábito de volta.

Nossas casas hoje são centros de entretenimento 24h. Não faço parte dos saudosistas. Faço parte da primeira leva de casamentos “via internet”, há quase 20 anos. Do tempo do modem de 56K e do acesso livre discado da meia noite às 6h. Acho incrível como atualmente consigo falar, ver, ouvir tão facilmente todos os amigos que moram longe. Como consigo  pesquisar  e aprender sobre qualquer assunto, bastando ter boa vontade e curiosidade. Por outro lado, realmente não conseguimos nos manter focados por muito tempo, temos o vício na multitarefa, e até certo orgulho em andar pela rua parecendo sempre ocupados. O tédio é o vilão dos tolos, li esses dias e fiquei refletindo. Também li que o oposto da felicidade é o tédio. Portanto, é da nossa natureza querermos criar algo quando estamos entediados. Quando éramos crianças, tínhamos desenhos na TV somente pela manhã – o restante do tempo  era tédio, muito tédio. Ele exercitava a criatividade, obrigatoriamente, pois nenhum ser humano gosta de ficar parado e infeliz.

Que nossas maratonas de séries permaneçam, maratonas de games também, assim como os dias de preguiça e de overdose de redes sociais. Só não tenhamos medo do tédio e da solidão. Eles também fazem parte de uma vida equilibrada. Permita-se e até busque o tédio e a solidão ás vezes.  Eles vão te levar além, muito além da superfície.