LEITORES

Você se considera um leitor de que tipo? Leitor voraz, que devora todos os livros que aparecem pela frente, independente do gênero? Gosta das listas dos mais vendidos, dos livros mais comentados e indicados da estação? É do tipo que só lê por obrigação, quando a professora  indica  alguma leitura e pede para fazer um trabalho? Você pode ainda ser ( ou considerar-se) um grande  entendedor de literatura,  só ler clássicos e obras que podem ser ostentadas em conversas  cheias de citações. Pode ser fã de um só autor, pode gostar de romances de banca, quadrinhos, ou então mentir que leu essa ou aquela obra para parecer mais sofisticado e interessante aos olhos dos outros.

Tirando os que mentem, todos os demais são leitores. Eu mesma tenho a pretensão de escrever para vocês todas as semanas, mas sou apenas uma leitora. Não entendo de gêneros literários, não  tenho formação na área, sou somente uma livreira e uma leitora apaixonada. Isso me torna menor ou maior que outros leitores? Creio que não. Gostaria que todos os apaixonados por livros escrevessem, dessem entrevistas, publicassem em suas redes sociais, fizessem  vídeos sobre o assunto divulgando e tornando esse hábito cada vez mais  popular. A mania de empinar o nariz e sentir-se melhor do que os demais afasta as pessoas da leitura. Quem trabalha com livros ou é amante da literatura deveria exalar uma leveza e uma simplicidade até maior do que as demais pessoas, mas não é o que acontece, geralmente. Assim, afastam os demais, em lugar de acolher, dividir e compartilhar. Não tenha vergonha do que você gosta de ler.

pequeno

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Dica de filme

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LITTLE BOY

Sempre estou à procura de filmes que possa assistir com meu filho de 10 anos, mas que não sejam animações. Nem sempre é fácil, às vezes começamos a assistir e descobrimos que o tema é muito adulto ou muito complicado para essa idade. Toda vez que encontro algo, trato de anotar para vermos juntos. Hoje trago uma dica de filme que pode ser assistido por toda a família. Little Boy, disponível no catálogo da Netflix, nos conta a história de Pepper, um garoto de 8 anos que tem como melhor amigo e companheiro seu pai. Perseguido pelos colegas de escola devido à sua baixa estatura, seu mundo gira em torno do pai e do seu ídolo, o mágico Ben Eagle. Quando o pai é convocado para a guerra, o menino fica arrasado. Em um show de mágica, é chamado ao palco e levado a crer que tem poderes sobrenaturais.

Soma-se a isso o sermão do padre local, dizendo que “se tua fé for do tamanho de um grão  de mostarda, poderá mover montanhas”. O menino então sai em busca de uma forma de trazer seu pai de volta da guerra. E de acabar com a guerra.  Buscando cumprir a risca a lista das obras de misericórdia dada a ele pelo padre ( alimentar os famintos, vestir o nu, visitar os doentes e os presos, enterrar os mortos…) , Pepper  envolve toda a cidade com sua fé e ingenuidade próprias da infância. Um filme sobre o amor, sobre a  coragem que é preciso ter para acreditar verdadeiramente em algo. Se expor ao ridículo, à chacota dos demais e não desistir. Coisas que muitos de nós perdemos, infelizmente, quando crescemos.

LÍDERES LEITORES

Resultado de imagem para odeio ler                A maior revista semanal do Brasil trouxe uma matéria curiosa essa semana. Sob o título “O que eles têm em comum com Trump”, mostra o pouco amor aos livros demonstrado pelos políticos mais cotados à Presidência da nossa República e mais reverenciados por parte da população. Assim como o atual presidente americano, eles declararam em várias entrevistas o pouco caso que fazem da leitura. Dentre as frases destacadas, encontramos: “Há três, quatro anos eu não tenho tempo pra falar em livro…eu fico no Whatsapp”. “Eu não consigo ler muitas páginas por dia, dá sono. Vejo televisão, quanto mais bobagem, melhor pra mim. Eu quero é limpar a cabeça.”

Os presidentes dos Estados Unidos sempre tiveram a preocupação em reverenciar os livros (ou ao menos posar para as fotos demonstrando interesse). Obama tinha o costume de divulgar suas leituras anuais. O presidente Harry Truman disse que “nem todos os leitores são líderes, mas todos os líderes são leitores”. Até Donald Trump, essa verdade nunca havia sido questionada por lá. Segundo a matéria, um importante nome na Casa Branca escreveu em um e-mail: “é pior do que você pode imaginar. Trump não lê nada, nem um memorando de uma página, nem relatórios breves, nada.”

Em nosso país isso pode não soar tão chocante, pois estamos acostumados a um nível baixíssimo entre os políticos. Em ano de eleição, podemos renovar as esperanças que também no Brasil, um dia, o desprezo pela leitura por parte de nossos líderes seja uma exceção, e não a regra geral. Assim seja.

CALL THE MIDWIFE(CHAME A PARTEIRA)

 

Esta semana trago uma diResultado de imagemca de série na Netflix. Confesso que não tenho muita paciência para televisão, a maioria dos filmes e séries me dá sono, mas algumas valem o tempo em frente à telinha. Uma delas é Call the midwife ou (em livre tradução), algo como chame a parteira. Produzida pela BBC, é um adaptação da autobiografia de Jennifer  Worth, enfermeira e parteira.

Ambientada na Londres dos anos 1950, portanto no pós-guerra, em um bairro de classe operária, perto das docas. Muitos soldados voltando para casa, muitas mulheres engravidando. O dia a dia das parteiras era bastante agitado. Entre consultas de pré-natal, acompanhamento da saúde dos bebês e inúmeros partos domiciliares, ainda tem de encontrar tempo para conciliar suas vidas pessoais como as de qualquer mulher comum. É uma série sobre mulheres e sob a ótica feminina, com personagens de todas as idades e perfis. Afinal, a vida de uma parteira gira em torno de mulheres e os dilemas que só nós compreendemos a fundo. Depois de conviver tanto tempo com os dramas, as misérias e as alegrias que só as mães sentem, as personagens se tornam como nossas amigas. Freiras, enfermeiras idosas ou jovens, mães de todas as idades, prostitutas, todas são mulheres e é muito bonito vê-las se ajudando no momento do parto, onde a vida e as esperanças se renovam, por mais difícil que a vida seja.

Uma produção impecável, cenários que nos levam até a época e personagens cativantes. Cada episódio nos traz um questionamento e por vezes nos leva às lágrimas. Espero que você assista. Embora possa parecer pouco atraente, garanto que esconde muita ação, drama e aventuras.

LIVRE ARBÍTRIO

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Com todo o avanço da tecnologia de comunicação, é inevitável sermos bombardeados com todo o tipo de notícias noite e dia. Há bem pouco tínhamos somente um telefone fixo. Depois um celular que nos servia para atender e realizar chamadas. Os moderninhos usavam um bipe na cintura. Agora nossos celulares são extensões do nosso ser, nos trazendo tudo o tempo todo. E cabe a nós o papel principal: filtrar o que queremos que se impregne em nossas mentes. Como diz Gilberto Gil: “O cérebro eletrônico faz tudo, quase tudo…mas só eu posso pensar se Deus existe, só eu posso chorar quando estou triste…e cérebro eletrônico nenhum me dá socorro em meu caminho inevitável para a morte. A morte é nosso impulso primitivo e cérebro nenhum nos dá socorro com seus botões de ferro e seus olhos de vidro”.

Claro que as notícias são importantes para que saibamos lutar pelos nossos direitos. Claro que o entretenimento é importante para nos desligarmos um pouco da realidade. Os celulares nos ajudam a pesquisar sintomas de doenças, a encontrar os caminhos. A informação que a tecnologia colocou a disposição de todos nós é incrível e pode salvar vidas. Gil sabe disso, mas também sabe que essa mesma vida pode ser desperdiçada olhando para baixo, jogando jogos infinitamente enquanto nossos filhos crescem e nosso tempo se esvai. Somos feitos de carne, e a tendência natural da carne é apodrecer. A luta para abastecer a mente  com coisas produtivas deve ser diária. Gosto de ter muito cuidado com os filmes que vejo, os livros que leio e as notícias que acompanho. Mesmo assim caio na armadilha dos conteúdos que não acrescentam em nada. Respondendo mensagens de bom dia, boa segunda, boa terça, bom inverno, boa sexta feira. Será mesmo necessário para ter amigos?  Se bobear, mais um ano vai passar em branco. Que Deus e nosso livre arbítrio nos livrem disso.

EXTRAORDINÁRIO

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O livro “Extraordinário”, de R.J. Palacio foi adaptado para os cinemas e teve seu lançamento no inicio de dezembro.  Conta a historia de August Pulmann, o Auggie, menino que nasceu com a síndrome de Treacher Collins – um distúrbio do desenvolvimento crânio facial  causado por uma mutação genética. Caracteriza-se por achatamento dos ossos malares, queixo pequeno, orelhas mal formadas ou ausentes, surdez parcial ou total e fenda palatina. A condição impõe ao protagonista dezenas de cirurgias e complicações médicas desde o nascimento, por isso ele nunca frequentou uma escola de verdade. È difícil ser um aluno novo, imagine com um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em uma escola particular em Nova Iorque, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas que apesar da aparência incomum ele é um garoto como todos os outros.

Uma historia edificante, cheia de amor e esperança, em que um grupo de pessoas luta para espalhar compaixão, aceitação e  gentileza.  Que mais filmes  e livros como esse possam nos esclarecer a respeito de doenças que ignoramos. Que mais pessoas se sintam representadas, acolhidas e respeitadas. A arte pode fazer muito mais  do que se imagina pela inclusão e aceitação de pessoas que nunca se viram representadas em nada. Uma história pode nos colocar, mesmo que por alguns momentos, na pele do outro. Que ela nos inspire a sermos melhores. Feliz Natal!

NOITE SOBRE AS ÁGUAS

Uma das melhores coisas que a leitura nos traz, obviamente, é o conhecimento. E, como costumamos dizer, um livro puxa outro, aguçando nossa curiosidade sobre os mais variados assuntos. É um ciclo altamente positivo. Nossa sede nunca é saciada. Ao contrário, o apetite só aumenta. Li há alguns dias um livro chamado “Noite sobre as águas”, de  Ken Follett. Setembro de 1939, poucos dias após o Reino Unido declarar guerra à Alemanha, um enorme hidroavião está prestes a partir rumo aos Estados Unidos no que deve ser o ultimo voo civil  a sair da Europa antes do conflito. Confinados por 30 horas no luxuoso avião encontram-se tanto a nata da sociedade quanto alguns passageiros de índole duvidosa. Na época em que voar ainda era um empreendimento muito arriscado, eles veem a travessia do Atlântico se tornar uma viagem de angustia crescente, com perigos inesperados.

O voo e os personagens relatados no livro são fictícios, porém o hidroavião conhecido como Clipper existiu, e podemos encontrar várias fotos e vídeos antigos na internet. Em tempos de computadores controlando tudo com extrema precisão, radares, comunicação fácil e bastante segurança, é curioso observarmos como era feita a travessia do Atlântico. Mapas, sextantes, controle de combustível feito pelo engenheiro  momento a momento. Passageiros fumando a bordo, mobília luxuosa, ótimas refeições, beliches para dormir a noite. Tudo isso faz parte de um passado não tão distante assim, que vale a pena ser recordado e conhecido. Quando um grande autor mistura ficção com traços de realidade, nossa imaginação e curiosidade  voam longe.

NATAL

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Novembro já era, e começamos a ouvir e falar as mesmas frases de sempre: -o ano passou muito rápido!  -o tempo voa! – a gente pisca e já está em dezembro… oh vida, oh céus , oh azar.  As metas, projetos, dietas, leituras ficam em segundo plano e serão desenterradas por breves momentos entre o início do ano e o Carnaval, para a maioria das pessoas. Nossos cérebros adoram novidades. O tempo voa porque fazemos sempre o mesmo trajeto, repetimos as mesmas rotinas mesmo quando poderíamos modificar algo facilmente. Nas festas de fim de ano, a sensação é geral: estamos sempre fazendo a vontade dos outros. Comendo, comprando e nos repetindo de modo automático, como se não tivéssemos escolhas.

Há alguns anos descobri um livrinho simples chamado “Descomplique seu Natal-100 maneiras de aproveitar melhor as festas de fim de ano” , De Elaine St. James. É um manual prático de sobrevivência à correria das festas de final de ano. Após o primeiro semestre quando você paga os impostos, o material escolar, as dívidas  das férias e do Natal passado e pensa que vai ter uma  boa fatia de ano para desfrutar calmamente, começa a batalha para decidir quem vai ceder a casa, quem vai cozinhar. E nada de estreitar laços, ter paz e celebrar o nascimento de Cristo. A autora já vendeu milhões de livros sobre como simplificar a vida em geral ( um sinal de que há muita gente sedenta por isso). Alguns dos conselhos são: lembre-se  do que você mais gostava em seus Natais de criança. Dê presentes que caibam no seu orçamento e não entulhem a casa de quem vai ganhar. Simplifique, esqueça o perfeccionismo e as tradições malucas das quais ninguém mais gosta. Vamos nos permitir. Relaxe aí com seu jornal, pois o mundo não vai acabar no Natal.

IÇAMI TIBA

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IÇAMI TIBA

O saudoso Dr. Içami Tiba foi um psiquiatra, educador e escritor. Psicoterapeuta de adolescentes e famílias com mais de 77 mil atendimentos feitos, autor de 29 livros com mais de 4 milhões de exemplares vendidos. Palestrante com mais de 3400 palestras proferidas segundo sua página, hoje administrada  pelos seus filhos.

Todos os pais e educadores deveriam ter contato com sua obra. Em tempos de “ter de esperar o reizinho da casa ou da escola decidir tudo a seu tempo”, Dr. Tiba  é uma luz que brilha e ilumina o caminho. Faz enxergar a beleza que é educar, ajudar com amor verdadeiro, o amor que ensina e também frustra. Repito sempre uma frase  que aprendi com ele há muitos anos: “quem não aprende ganhando, aprende perdendo”. Quer verdade maior? Um brinde à lucidez que persiste em uma obra mesmo após a morte do seu autor.

“O comportamento humano não é predeterminado, como nos animais. Temos o poder de mudar o futuro, de mudar nosso comportamento já no próximo momento. Podemos mudar por amor, por querer bem a uma pessoa amada, a um filho, à humanidade.”

“Os casais que só se uniram para o “tudo bem”  vão se frustrar muito com qualquer problema que atinja o filho. Quanto aos demais, que se comprometeram a enfrentar a dois o bom e o ruim, vão somar forças para superar juntos o problema, como família unida”

“Filhos poupados por pais superprotetores geralmente são folgados esperadores, e não empreendedores”.

“Embaixo de um folgado tem sempre um sufocado”

BIOGRAFIAS

Temos uma natural curiosidade acerca da vida dos famosos, sejam eles artistas, políticos, personalidades que influenciaram a história mundial, empresários bem sucedidos e outros. Muitas biografias estão sempre sendo lançadas, para todos os gostos. Às vezes não são autorizadas, por vezes até o protagonista do livro  tenta retirar na justiça o direito à publicação ( o que faz aumentar ainda mais a avidez do público).  Alguns escrevem sua própria história – e aí acabam dando ao livro um tom de constante autopromoção- o que a mim não agrada.

Recomendo hoje a biografia de Elon Musk , cuja autora é a jornalista de tecnologia  Ashlee Vance. Ela  mergulhou fundo em pesquisas e entrevistas a respeito do CEO da SpaceX e da Tesla, empresas que  parecem  estar moldando nosso futuro. Ela investigou em detalhes a trajetória muitas vezes instável e controversa das empresas de Musk  e traçou um retrato impressionante  do personagem por trás dos carros elétricos, painéis e baterias de energia solar  e foguetes espaciais construídos com recursos privados e a partir do zero, muito mais baratos do que os já lançados pelas agências governamentais. Entre suas próximas metas esta a colonização de Marte. Se ele é realmente um visionário ou simplesmente um lunático, só tempo dirá. A leitura de sua biografia com certeza é inspiradora em uma época como a atual, em que a maioria das empresas prefere o lucro fácil ao risco de desenvolver tecnologias radicalmente novas.

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