EDUCAÇÃO?

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Hoje em dia conseguimos observar, infelizmente com muita facilidade, pessoas com nível de escolaridade avançadíssimo e pouca ou nenhuma educação ou cultura. Refiro-me à educação básica, aquela que recebemos (ou deveríamos receber) de nossos pais ou responsáveis. Os chamados por minha mãe de “bons modos”. Boas maneiras à mesa, obrigada, por favor, me desculpe… Esses eu considero relativamente fáceis de ensinar com alguns anos de treino e repetição incansável. Mais difíceis são os que envolvem um pouco de empatia: ceder o lugar para os mais velhos, não só no transporte público e para vovós muito idosas. Considero absurdo um jovem sentado no melhor local em uma reunião familiar e um tio ou tia almoçando em pé ou espremidos no sofá. Adultos reclamam do atendimento no comércio local, mas não enxergam suas próprias atitudes. Acham que, por estarem do outro lado do balcão, os funcionários não merecem respeito. Um cumprimento cordial, uma despedida, um elogio ou até mesmo uma crítica podem ser feitos com civilidade. Infelizmente nosso país avançou em termos de educação formal, mas nossas famílias retrocederam nos ensinamentos básicos. Quando se pergunta aos pais o que mais desejam para seus filhos, a primeira resposta é: que sejam felizes! Pergunto-me se seria uma felicidade a qualquer custo. Uma felicidade que não leva em conta limites, alegria que não enxerga o seu semelhante. Estamos empanturrados e empanturrando nossos filhos de comida, doces, álcool, diversões, atenção, relacionamentos superficiais. O resultado podemos observar no noticiário e em nossas casas, se tivermos a coragem de analisar a fundo no que nos tornamos. O problema não são os outros. Nós somos os outros, e somos responsáveis por nossas aldeias. Se tem algo bom para ensinar ou mostrar, mostre sem vergonha de parecer ingênuo.

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A DISTÂNCIA ENTRE NÓS

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Thrity Umrigar é conhecida por seus romances ambientados na Índia contemporânea. A autora é jornalista e escreve para o Washington Post, Boston Globe e para jornais locais. Leciona redação criativa e literatura. Em “A distância entre nós”, Umrigar  nos conta o cotidiano de duas mulheres, dois destinos que poderiam ser um só. As duas estão indiscutivelmente ligadas, porém  separadas por uma fronteira intransponível. Patroa e empregada marcadas pela decepção, enganadas pela traição, sujeitas a uma sociedade cruel que marca a fogo a existência das mulheres.

Todas as manhãs Bhima deixa seu barraco na favela para cuidar da casa de Sera. Esfrega o chão , limpa os estofados, lava a louça e utensílios que jamais poderá usar. Sera é uma dona –de –casa cuja opulência da vida material esconde a vergonha e a desilusão de seu casamento violento. A empregada é uma analfabeta resignada, endurecida por uma vida de sofrimento e perdas, trabalha na mesma casa há mais de vinte anos. Sacrifica tudo pela sua neta, cuja educação é bancada pela patroa e possibilitará que saia de seu bairro pobre. O romance retrata um mundo distante de nós. Passado na Índia de hoje e com protagonistas  dolorosamente reais, nos mostra como as vidas dos pobres e dos ricos estão intrinsecamente entrelaçadas, ainda que afastadas entre si, e capta intensamente o modo pelo qual as dores humanas ultrapassam as divisões de classe e cultura. É um daqueles livros que , depois de iniciados, não queremos interromper a leitura.

 

O MILAGRE DA MANHÃ

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Assim como as pessoas gostam de se dividir entre time dos que preferem inverno ou verão, time dos que preferem humanas ou exatas, existem também os que se consideram matinais e os notívagos. Não faltam discursos inflamados de ódio ou amor, com argumentos  para  provar que a noite é mais produtiva, a manhã é mais bem aproveitada, e assim seguimos a vida.

Paixões à parte, hoje falaremos do livro “O milagre da manhã”, de Hal Elrod. O autor desafia o leitor a acordar uma hora antes do habitual e praticar a rota básica, que consiste em dez minutos , aproximadamente , de cada uma das práticas a seguir:

  1. Silêncio: meditação, orações, reflexões.
  2. Afirmações positivas: tudo o que dizemos repetidamente a nós mesmos em voz alta ou pensamos é uma afirmação. Afirmações positivas logo pela manhã podem tornar o solo de nossa mente fértil para produzir bons frutos.
  3. Visualização: sabe quando vamos viajar e dá tudo errado, mas mesmo assim mantemos o bom humor? Com certeza visualizamos inúmeras vezes a alegria que sentiríamos com essas férias, e nada nos faz desanimar. Visualizar nosso dia e projetos faz com que mantenhamos o foco  e não nos deixemos levar pela raiva, reclamações e negatividade.
  4. Exercícios: não precisam de explicação, somente ação!
  5. Leitura: ler historias inspiradoras, livros de desenvolvimento pessoal pela manhã não faz mal algum, concorda?
  6. Escrita: pode ser um diário, listar as coisas pelas quais você é grato, ideias, projetos.

A obra ressalta a importância  dos estímulos positivos bem cedo,  ANTES de cairmos na roda viva das noticias, das redes sociais e dos afazeres diários. Quem experimentou aprovou.

A GRANDE AVENTURA DOS JESUÍTAS NO BRASIL

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A coluna da semana passada falou  em como “um livro puxa o outro”. Quanto mais  lemos, mais curiosidade e fome de saber temos. Em “ A grande aventura dos Jesuítas no Brasil” , de Tiago Cordeiro, saberemos mais sobre figuras que talvez tenham ficado esquecidas lá em nosso tempo de escola. Manoel da Nóbrega, José de Anchieta, Antônio Vieira e outros célebres desconhecidos tiveram atuação importantíssima  em terras brasileiras. Catequização de índios, contribuição para a literatura, desenvolvimento do conhecimento geográfico e belas construções de  centros educacionais e igrejas são algumas das muitas realizações dos Jesuítas. Poucos sabem a importância que tiveram para a formação social do Brasil.

Organizada por Inácio de Loyola em 1534, a Companhia de Jesus é ainda hoje um dos maiores grupos da Igreja Católica, Uma relação de amor e ódio define a relação dos homens de preto no processo de colonização de nossa terra. Por vezes, foram contra a opinião de seu país de origem e, em outras, por meio de conflitos que iam muito além das discussões, chegaram a ser expulsos pelos nativos. Recheado de curiosidades, dramas, tragédias, guerras e muitas histórias, o livro desvenda ações sociais praticadas até hoje. Entender a história é a melhor maneira de explicar a atualidade.

Que nossas mais diversas  leituras estejam sempre repletas de diversão e aprendizado, fazendo de nossas mentes um turbilhão de curiosidade e criatividade. Leituras leves, clássicas, biografias, humor. Todo livro nos instiga e nos leva além. Que venha o próximo!

MEMÓRIA AFETIVA

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Quem de nós não tem recordações cheias de afeto? Não somente da infância, mas de épocas que ficaram marcadas em nós.  O cheirinho da comida da avó. A visão daquele quintal caótico, porém cheio de vida, bem diferente dos jardins projetados  e estudados de hoje. Onde nossas mães e avós jogavam  sementes, mudas trazidas de viagens ou trocadas com vizinhas, e tudo se misturava, do mesmo jeitinho que as famílias eram misturadas antigamente. Hoje dificilmente entramos nas casas de nossos primos sem bater. Nossos filhos quase não têm primos, aliás. Moram longe, têm idades muito distintas, o contato se dá somente pelo WhatsApp. Deus nos livre dar algum palpite, recriminar o filho de um parente por uma malcriação. Geralmente  temos de marcar com antecedência, organizar  um evento com data e hora marcados , para que tudo seja “perfeito”. O que serão as memórias afetivas de nossos filhos no futuro? O som do download do jogo concluído? A buzina do motoboy trazendo a pizza no domingo? O apito das notificações do celular?

Nunca sabemos quando estamos criando memórias em nós mesmas e em nossos filhos. Serão casas imaculadas, livros organizados por cor e autor, o Natal com decoração perfeita o que nos trará à lembrança de nossos netinhos? Silêncio, gargalhadas, orações, comidas. O que de verdade estamos criando em nossos relacionamentos? Os muros que criamos hoje podem nos isolar em nossa velhice. E, como diz a música: ”o que vai ficar na fotografia são os laços invisíveis que havia. O sol passando sobre os amigos. Histórias, bebidas, sorrisos e afeto em frente ao mar. E quando o dia não passar de um retrato colorindo de saudade o meu quarto…só aí vou ter certeza de fato que eu fui feliz.”

PODE ME CHAMAR DE FRANCISCO

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Está disponível no catalogo da Netflix a minissérie “Pode me chamar de Francisco”, que conta a jornada de Jorge Mario Bergoglio desde a juventude até se tornar o Papa Francisco. De seu trabalho em um laboratório, passando pela descoberta da vocação, as feridas da terrível ditadura argentina, o chamado à liderança na Igreja culminando com  o Conclave que o levou ao papado. Mesclando vida pessoal à história da Argentina, nos  conquista já no primeiro capítulo.

Bergoglio decide ser padre e sonha em ser missionário no Japão. Porém, acaba dando aulas de literatura para adolescentes rebeldes em uma escola. Jorge Luis Borges e outros autores chegaram a visitar as aulas, tentando motivar os alunos a escrever. Durante a ditadura, o padre abriga no colégio  um jovem ateu comunista. Veste-lhe de padre, empresta-lhe a sua própria identidade e o ajuda a fugir pelo Brasil. Ainda há uma cena em que  preside uma missa para os ditadores e tem uma certa crise de fé , morando na Alemanha. A natureza calma, tranquila, humilde e disciplinada de Jorge Mario é todo o tempo destacada. Sentimos junto a ele os dramas internos  pelos quais passa, tendo de tomar decisões pouco populares, muitas vezes.

A série mescla um pouco de ficção com histórias verídicas. Desperta em nós curiosidade sobre a história de nossa vizinha Argentina e sobre a personalidade desse grande líder, forjado  nas dificuldades e no amor. Ficamos esperando uma continuação, agora com seus desafios na liderança da Igreja Católica.

REVOLUÇÃO?

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No clássico “A revolução dos bichos”, George Orwell nos traz uma fábula sobre o poder. Narra a revolta dos animais de uma granja contra seus donos. Revolução, de modo geral, significa uma mudança radical na estrutura social, política, econômica, cultural ou tecnológica. Em algumas situações significa ruptura, quebra de continuidade. Estavam então, os animais cansados de servirem como escravos dos humanos. Unem-se e expulsam o proprietário, declarando como inimigos todos os que andam sobre duas patas. Liderados pelos porcos (que se consideram os animais mais inteligentes), sonham com uma sociedade em que  todos sejam livres e vivam em paz , harmonia e igualdade.  Porém, logo as regras começam a ser mudadas, trocadas, apagadas da “constituição”. Os porcos, arautos da igualdade e da justiça, começam a se assemelhar cada vez mais aos odiados humanos. Os melhores bocados de comida, bebida, as melhores casas, a mordomia ficava toda com os porcos, pois na granja “todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que os outros”. Pouco a pouco os animais  foram esquecendo-se como viviam antes da revolução. Com um irônico desfecho, os porcos aparecem andando sobre duas patas, contrariando seus mandamentos iniciais. Logo estão confraternizando com os humanos, pois se tornaram iguais.

Qualquer semelhança com a realidade  não é mera coincidência. Infelizmente, temos observado a corrupção em ambientes variados. A tentação  representada pelo poder tem sido demais para muitos de nós. Quando chegamos lá, começamos a nos sentir especiais, escolhidos, predestinados, merecedores de tudo, independente dos ideais que outrora tivemos.  A autoridade deve vir do serviço, mas servir  parece estar em desuso.

SUGESTÃO DE LEITURA

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A sugestão de leitura de hoje é  “As doze tribos de Hattie”, de Ayana Mathis. Em seu primeiro romance, a autora  já   figurou  como  best-seller do The New York Times.  O livro foi eleito como um dos melhores  do ano e selecionado pela apresentadora Oprah Winfrey para seu clube do livro.

Dois anos após fugir da violenta política racial que assassinou seu pai, Hattie, de dezessete anos, vive com o marido e um casal de gêmeos em uma pequena casa alugada na Filadélfia. Doce, inteligente e otimista, Hattie acreditava firmemente que encontraria uma vida melhor na nova cidade, mas, , quando seus bebês morrem  de pneumonia, numa combinação dos efeitos do rigoroso inverno com a pobreza extrema, todos os seus sonhos são desfeitos.  A memória dos gêmeos perdidos, os nove filhos que nascem após esse episódio e a neta  que se vê obrigada a criar  formam as doze vozes que contarão a história da família ao longo dos anos. Em uma série de narrativas interligadas, Ayana mostra a luta de cada um pelo amor e pela sobrevivência através do século XX.   Um retrato vibrante e apaixonado de uma família castigada e dispersa pelas circunstancias, mas que, mesmo assim,  mantém seus laços fortes. Aborda com delicadeza temas difíceis como sexualidade, religião e preconceito. É uma leitura inquietante. Angustiante, imprevisível, cheia de vida. É ao mesmo tempo um retrato marcante da luta diante das adversidades e uma celebração da capacidade humana de se reinventar.

MÃES EM GUERRA?

MÃES EM GUERRA?

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Mães, especialmente de crianças pequenas, gostam de comparar seus filhos com os de outras mulheres. Pais também, mas nós mulheres ainda somos maioria em reuniões escolares e consultórios de pediatras. Precisamos gerar, amamentar e cuidar nos primeiros meses, e não há muito que outras pessoas possam fazer por nós. O que vem depois, aí sim, é influenciado por estereótipos e expectativas sociais.

A literatura está repleta de personagens contando as aventuras da maternidade. Em “Melancia”, de Marian Keyes, a personagem Claire se vê abandonada pelo marido logo após o nascimento de sua filha. Ainda no hospital, ele dispara: lamento muito, mas encontrei outra pessoa e vou ficar com ela. Claire precisa lidar com toda a novidade de ter um bebê e estar separada. No divertido “Mães em guerra”, de Jill Kargman, Hanna se vê  diante de um estilo de vida completamente diferente  ao mudar-se para um bairro elegante de Nova York, em meio a uma verdadeira guerra de mães. Por trás das aparências angelicais, suas vizinhas revelam-se bem cruéis, dispostas a destruir qualquer uma que ameace ser uma mãe “melhor” do que elas.

Infelizmente isso não se dá somente na ficção de humor. Todos os dias podemos observar mulheres que se consideram abertamente melhores que outras por terem amamentado mais tempo, dormido menos horas, sacrificado mais suas vidas e carreiras ou até sua relação com o marido em nome da maternidade. Sentam-se em seu banco de juízas e disparam “leis do amor maternal” para todos os lados. Esquece-se que estamos todos, mães e pais, no mesmo barco – o mundo. E que, para termos um mundo melhor para todas as mulheres (inclusive para nossas filhas), é preciso acima de tudo respeito pelas  escolhas e pelos sonhos umas das outras. O termo usado é sororidade, que significa a união e aliança entre mulheres, baseadas na empatia e companheirismo para alcançar objetivos em comum. Vamos?

NOSSAS COMPANHIAS

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Quem nunca ouviu uma das seguintes frases? “Você é a média das cinco pessoas com quem mais convive” ou “ Diga-me com quem andas, que te direi quem és”. Podemos sofrer boas ou más influências de nossos amigos e parentes mais próximos. Também das leituras que fazemos. Dos sites que visitamos, dos jogos que jogamos e dos programas que assistimos. Dizem ainda que, ‘’ se você for sempre a pessoa mais interessante da roda de amigos, está na hora de trocar de amigos, pois logo  ficará mais burro ou mais intolerante, ou mais bobo do que é.” Buscar boas influências é , então, vital para todos nós. Afinal, nunca conheci ninguém que , conscientemente, quisesse se tornar uma pessoa pior.

Max Gunther  disse em seu livro “Milionários instantâneos” (título apelativo para um livro muito interessante, onde conta como pessoas comuns tiveram grandes ideias  e as colocaram em prática): “O processo de influência mútua é um dos atributos mais interessantes de nossa estranha espécie. Dois cães, gatos ou coelhos do mesmo sexo podem se encontrar, passar meses ou até mesmo anos juntos e depois se separar sem que sofram qualquer mudança perceptível. Talvez algumas pulgas tenham trocado de lugar, mas nada mais digno de nota terá acontecido. Os encontros entre seres humanos, no entanto, costumam ser bem diferentes. Existe reação. O curso da vida de um homem pode ser alterado radicalmente, até mesmo revertido por completo, por causa de um encontro com outro homem ou outra mulher. Somos tão incrivelmente maleáveis, tão altamente suscetíveis a influências , que podemos mudar outras pessoas sem precisar conhecê-las pessoalmente. Eu poderia mudar a direção de minha vida  ao ler alguma coisa que você escreveu, e vice-versa”.

Pessoas não vêm com bula e advertências quanto às reações adversas que podem nos causar. Uma espiadinha em suas redes sociais e em suas prioridades nos darão dicas preciosas. Corra enquanto é tempo!