AVENTURAS REAIS

Sempre que me perguntam que livro indico para pessoas  que ainda não tem  o hábito de ler, ou tem aversão a livros,  penso logo em livros de aventura.  De preferencia aventuras reais. Amyr Klink,  Jessica Watson, desbravadores como Shackleton, alpinistas no Everest, Fawcett.  São relatos que nos cativam do início ao fim  pela bravura, curiosidade, liderança, teimosia  mesclada a capacidade de realização. Deixo esta semana meus preferidos, como sugestão de leitura :

  1. A incrível viagem de Shackleton, Alfred Lansing –  na tentativa de cruzar o continente Antártico, seu navio fica preso no gelo e acaba destroçado, e os tripulantes  sobrevivendo sobre placas de gelo em uma das regiões mais inóspitas do planeta.
  2. Destemida, Jessica Watson – a história da australiana de 16 anos que deu a volta ao mundo ,sozinha ,em um barco.
  3. Paratii , entre dois pólos, Amyr Klink-viagem entre os dois polos , sendo 1 ano inteiro na Antártica.
  4. O enigma do Coronel Fawcett – o verdadeiro “Indiana Jones”, Hermes Leal – Seu sonho era descobrir vestígios de uma cidade desaparecida no Brasil central.
  5. No ar rarefeito, John Krakauer­- jornalista contratado para escrever sobre a crescente onda de comercialização da escalada ao Everest se vê em meio a maior tragédia já ocorrida no local.1012998_295297247281027_577604358_n

LIMA BARRETO

lima-barreto-biografia-estilo-e-obras-do-autorA Festa Literária Internacional de Parati-FLIP 2017 homenageará o escritor Lima Barreto. Nascido em 1881, em uma época em que era muito difícil um escritor com as suas origens ser reconhecido, ele expôs em sua obra um Brasil que até então era “invisível”. Selecionei aqui no sebo, um pequeno livro de crônicas deste autor para ler no feriado passado. Quanta emoção e surpresa encontrei! Em crônicas escritas há um século, Lima denuncia problemas que ainda hoje podemos considerar atuais: Violência contra a mulher, leis esdrúxulas, tentativa de controle do Estado sobre problemas pessoais. Na crônica “O cedro de Teresópolis, conta a luta pela preservação de uma árvore centenária, e conclui com a seguinte sentença: “ …eu desejaria muito que tal acontecesse, pois deve ser um soberbo espetáculo contemplar a magnífica árvore, cantando e afirmando pelos tempos em fora, a vitória que obteve tão –somente pela força de sua beleza e majestade”. Em “País rico”, publicada em maio de 1920, Lima parece estar descrevendo nossa atualidade: “Não há dúvida nenhuma que o Brasil é um país muito rico. O supomos muito pobre, pois a todo instante vemos o governo lamentar-se que não faz isto ou aquilo por falta de verba …e tão rico ele é que, apesar de não cuidar das coisas que vim enumerando (saneamento básico, segurança , educação), vai dar trezentos contos para alguns latagões irem ao estrangeiro divertir-se com jogos de bola como se fossem crianças de calças curtas a brincar nos recreios dos colégios…” È bonito ver uma obra tão visionária, mas também é entristecedor ver que andamos em círculos, e muitos dos problemas continuam tão atuais. Leia Lima Barreto, você vai se surpreender.

Diversão barata

Já perceberam que atualmente tudo parece ser muito glamoroso, over,” mega”, top, “mara”, das galáxias? Nossa vida regida por posts em redes sociais não permite isolamento, tristeza, tédio nem silencio. Quem não é visto (de preferencia em algum lugar da moda, rodeado de amigos, degustando refeições gourmet, vinhos e cervejas de boutique), deve estar depressivo. Onde foi parar a diversão barata? Não pode haver diversão no silêncio, na contemplação, reflexões, espiritualidade? Um convite para jantar na casa de amigos, cada um leva um prato? Uma soneca, uma caminhada sem foto pro Insta?

Nossos amigos livros se encaixam na categoria diversão barata e descompromissada. Alguns dirão: “mas livro é muito caro no Brasil”. Muitos livros custam bem menos que um fardo de cerveja , consumidos aos litros todos os finais de semana. Quando lemos, damos um tempo nessa busca frenética por pertencimento a grupos sociais. Somos nós, os personagens e a nossa imaginação. Alimentamos nossa criatividade, tão esquecida, acostumada a receber tudo pronto e em ritmo acelerado. Um livro pode ser lido por muitas pessoas. Não perde o viço com o passar do tempo. Não precisa de tomada para carregar a bateria, não exige resposta imediata, não emite notificações. Livros não são somente para estudiosos, acadêmicos, pessoas estranhas ou antissociais. Livros são para todos. Para diversão, estudo ou somente para passar um tempo em paz, deixando o pensamento livre do barulho exterior.sabado1

A leitura é um santo remédio!

bela recatada

Recebi um artigo que contava sobre a “Biblioterapia”: uma clínica em Lisboa que faz  um diagnóstico do seu estilo de leitura (hábitos, gêneros e autores preferidos). A partir daí o cliente recebe um plano de leitura personalizado. Dizem ser especialmente útil para os adolescentes, para se descobrirem como leitores. Tudo brincando com a ideia de um ‘hospital” literário. Uma frase me chamou atenção: “ a literatura transformada em conhecimento, tranquilidade de espírito, em resiliência, pode melhorar muito a nossa vida”. Verdade comprovada por tantos leitores.

Comecei a lembrar de quantos livros me ajudaram. Uma frase aqui, um personagem inspirador ali, até uma boa autoajuda no momento certo acolá. Biografias, livros religiosos, de empreendedorismo. Quantos personagens de ficção também nos ensinam muito? Dorian Gray e sua canalhice (ele achou que ia sair ileso, com sua beleza e juventude infinitas, mas quando se confrontou com sua verdadeira face, surpresa!). Liz Bennett e Mr. Darcy e seus preconceitos, quase deixaram escapar o amor. E quem resiste à coragem e à nobreza de caráter de Bilbo, em “O Hobbitt”?

Ninguém precisa ir até Portugal para consultar os que se dizem especialistas em literatura. É só olhar naquela estante empoeirada aí da sua casa, passear pelas livrarias e sebos da nossa cidade, pegar emprestado com algum amigo ou biblioteca. Nesse caso, a “auto medicação” está totalmente liberada ,e   é até recomendada!

A INTERNET E OS LIVROS

dezembro

Pergunta recorrente: a internet e os celulares estão acabando com o hábito da leitura? Minha resposta é minha opinião pessoal: não. As redes sociais estão  cheias de perfis dedicados a literatura, grupos, resenhas, redes sociais somente para leitores, e  muito mais. Deixo hoje os meus preferidos!

O Skoob  é uma rede social especialmente dedicada aos leitores. Lá você cria seu perfil, convida seus amigos, monta sua meta de leitura, compartilha suas opiniões, faz resenhas de livros, troca livros com os outros participantes, obtém informações, participa de sorteios e outras ações.

No Facebook existem muitos grupos de leitores. Além do virtual , são combinados encontros periódicos entre os participantes. Você pode  compartilhar suas leituras, pedir opiniões sobre livros, participar de desafios, debates e sorteios. Meus preferidos são “O vendedor de livros” e “ Semente de livros”, onde tenho vários amigos que dão dicas maravilhosas sobre todo tipo de leitura.

No Instagram gosto das @ninarosaleao e da @pensologolivros , que são da Lauren e da Jhosy,  leitoras  daqui de Itajubá. No YouTube assisto muito ao Mundo Paralelo , que é bem adolescente. Assisto também a Pam Gonçalves, dentre outros.

Internet pode nos tirar o foco da leitura? Pode, é claro, mas também pode nos impulsionar muito. Se tiver dicas , envie para mim no e mail, e vamos reunir cada vez mais leitores.