INCENTIVO À LEITURA

Incentivar a leitura é sempre um ato louvável. Seja em casa, na escola, com palavras e principalmente através de exemplos: nós, leitores, queremos compartilhar nossa empolgação  pelos livros com todos a quem amamos.

Alguns projetos criativos se destacam nesta área. Um de meus preferidos é o “Esqueça um livro”. Já promovi com meus amigos em nossa cidade, e também vejo  escolas  que estimulam seus alunos através do mesmo projeto. Felipe Brandão é seu maior divulgador no Brasil, tendo uma página no Facebook com quase 50 mil curtidas e promovendo eventos país afora. É inspirado no projeto americano BookCrossing,  criado em 2001 , com o objetivo de fazer do  mundo uma grande biblioteca. Parece loucura? Pois é bem simples: pegue um livro ou  revista  que está parado em sua casa e faça um bilhetinho  nele dizendo “ este livro não foi perdido. Leve –o para casa e depois de ler , liberte-o pela cidade você também, assim mais pessoas poderão se divertir com ele”. Você pode colocar um e mail para trocar ideias e acompanhar a viagem de seu livro por aí.

Recentemente, uma matéria do Fantástico mostrou livros  recomendados por personalidades conhecidas sendo encontrados em ônibus, metrôs e praças. As reações de quem os encontra são muito diversas. Vão desde a indiferença até a emoção profunda e a vontade de compartilhar o achado. Eu convido o leitor a espalhar seus livros por Itajubá  durante essa semana, pois é sempre bom saber que tem mais gente lendo e acreditando em um mundo melhor, menos egoísta e solitário. É pouco, mas é a nossa parte.work

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LYA LUFT

lya

A escritora gaúcha Lya Luft nos brindou com suas reflexões a respeito do  passar do tempo e do envelhecimento em seus livros “Perdas e Ganhos” e “ O tempo é um rio que corre”.  Considero que o envelhecimento é ainda um grande tabu em nossa sociedade( principalmente para as mulheres) , e ter uma personalidade como Lya falando abertamente sobre esse tema é enriquecedor e libertador. Afinal, todas nos cuidamos tanto, fazemos consultas, tomamos nossos remédios e vitaminas para que possamos viver mais e melhor… e quando chega a velhice, começamos  a nos podar, nos diminuir e nos considerar indignas de afeto, sucesso, alegrias. Como se ser “velho” fosse um defeito de caráter e não uma conquista a ser celebrada.

Em “O tempo é um rio que corre”,  a autora divide  a narrativa em três partes: águas mansas, marés altas e a embocadura do rio, mesclando experiências pessoais com reflexões sobre as diversas fases da vida. Conta, com sinceridade, sua busca para usufruir o que há de melhor em cada idade. Reflete sobre a futilidade, a suposta falta de tempo e a cultura da eterna juventude em que vivemos. Deixo, como aperitivo , um poema de Lya:

“O tempo rasteja no telhado
depois de se fazerem filhos e dívidas,
e as dúvidas brotarem nas frestas.
O tempo traça bordados no rosto
e manchas na mão,
mas a gente não muda: ainda chove
no escuro e um pássaro começa a cantar.
Um amigo morre antes dos quarenta,
e nossa mãe, com quase cem, nem está
nem se ausenta.
Como tudo o mais,
o tempo não tem explicação:
corrói ou transfigura,
conforme cada um escolhe,
sofre
ou inventa.”

 

AUTOR CELEBRIDADE

nicho

Jojo Moyes e Nicholas Sparks  estiveram no Brasil nos últimos dias, em eventos em livrarias badaladas de nossas capitais. Seja pelos livros ou pelas suas adaptações para o cinema , os dois são sucesso em tudo o que fazem.

Jojo Moyes trabalhou como jornalista até 2002, quando começou a se dedicar integralmente a carreira de escritora. É autora dos sucessos “Como eu era antes de você” e“Depois de você”. Sua escrita é fácil e conquista já nas primeiras páginas. Em “ A garota que você deixou para trás”,  a autora surpreende quem esperava um romance “agua com açúcar”: durante a 1ª Guerra mundial, um jovem pintor é obrigado a se separar de sua esposa para lutar no front. Enfrentando a fome e as misérias da guerra, Shopie  só tem esperanças contemplando o  retrato  que o marido fez dela no passado. Esta pintura desperta interesse dos comandantes alemães, o que nos transporta para a época atual e à história de Liv  e sua luta para permanecer com a obra de arte. O romance chama atenção para a enorme quantidade de obras de arte roubada durante as guerras.

Nicholas Sparks é celebridade no mundo inteiro. Foi representante comercial até que  a história de amor dos sogros o inspirou a escrever o romance “Diário de uma paixão” , que estourou  nas telas de cinema e nas livrarias, assim como “Um amor para recordar” e tantos outros. O mais recente é “Dois mais dois”, cujo lançamento no Brasil teve a sua presença e de centenas de fãs que madrugaram nas filas atrás de uma senha para autógrafos e fotos.

Criticados, considerados modinha, mas me diga( gostando ou não) como não se emocionar  vendo escritores sendo ovacionados como astros do rock?

AUTOAJUDA

madruga

Se existe uma categoria de livros desvalorizada é a de autoajuda. A palavra já soa depreciativa, não é mesmo? Culpa de algumas publicações realmente bobas, com puro interesse comercial, ou de títulos apelativos demais (e  conteúdo surpreendentemente bom) Falaremos hoje deles, os injustiçados!

Gosto muito de livros que misturam autoajuda e religiosidade. “Celebração da disciplina” e “Celebração da simplicidade”, de Richard Foster são dois de meus livros de cabeceira. Recentemente me surpreendi com “As cinco linguagens do amor dos adolescentes”, de Gary Chapman . Duane Elgin  em seu “Simplicidade voluntária” nos traz muitos exemplos de que viver com simplicidade exterior nos faz aumentar a riqueza interior. E que lutar por uma posição social de destaque pode não ser compensador.

Outros livros misturam ajuda e empreendedorismo, como “Mais tempo,mais dinheiro”, dos ótimos Christian Barbosa e Gustavo Cerbasi.  Em “Você, dona do seu tempo”, o mesmo Christian  aplica seu método de gestão de tempo ao universo feminino. Thais Godinho nos ajuda a gerenciar metas e objetivos em “Vida organizada”  , fazendo tanto sucesso que gerou o segundo livro “Casa organizada”, ambos muitos práticos e gostosos de ler. Deixo mais algumas dicas, caso o leitor queira se aventurar e não tenha medo de ser julgado menos culto por  lê-los. Afinal , nem só de clássicos vive um leitor.

Tim Ferriss –Trabalhe 4 horas por semana

Hugh Prather- Como ser feliz apesar de tudo

Augusto Cury – Pais brilhantes, professores fascinantes

Marie Kondo- A mágica da arrumação

LITERATURA BRASILEIRA

machado

Autores nacionais geralmente são procurados  quando os professores ou concursos solicitam as temidas “leituras obrigatórias”.  Aluísio Azevedo, José de Alencar, Jorge Amado, Machado de Assis, Bernardo Guimarães, Drummond, Lygia Fagundes Telles, Manuel Antônio de Almeida, Joaquim Manuel de Macedo estão entre os mais procurados em sebos, mas a maioria dos leitores os considera uma tarefa a cumprir, e não entretenimento. Confesso que por muito tempo também os considerei, porém, leitora mais madura li O Cortiço, Tereza Batista cansada de guerra, Dom Casmurro, A Escrava Isaura e qual não foi minha surpresa! Encontrei ação, aventura, romance, história e os li sem tédio algum. Dar uma nova chance aos clássicos nacionais tem sido um de meus desafios literários nos últimos meses.

José Mauro de Vasconcelos foi o preferido de muitas crianças, adolescentes e adultos por muito tempo, mas esse merece uma coluna toda dele, não é mesmo? Afinal, quem não se emocionou lendo O meu pé de laranja lima? Entre os nacionais mais recentes, tive gratas surpresas com livros do Edney Silvestre e do Daniel Galera. E você, que tal dar uma chance aos nacionais? Tem muita coisa  legal  disponível  em nossa literatura. Deixo abaixo algumas sugestões :

  1. Edney Silvestre, Vidas provisórias
  2. Daniel Galera, Barba ensopada de sangue
  3. Bernardo Guimarães , A escrava Isaura
  4. Rosinha , minha canoa, José Mauro de Vasconcelos