AUTOAJUDA

madruga

Se existe uma categoria de livros desvalorizada é a de autoajuda. A palavra já soa depreciativa, não é mesmo? Culpa de algumas publicações realmente bobas, com puro interesse comercial, ou de títulos apelativos demais (e  conteúdo surpreendentemente bom) Falaremos hoje deles, os injustiçados!

Gosto muito de livros que misturam autoajuda e religiosidade. “Celebração da disciplina” e “Celebração da simplicidade”, de Richard Foster são dois de meus livros de cabeceira. Recentemente me surpreendi com “As cinco linguagens do amor dos adolescentes”, de Gary Chapman . Duane Elgin  em seu “Simplicidade voluntária” nos traz muitos exemplos de que viver com simplicidade exterior nos faz aumentar a riqueza interior. E que lutar por uma posição social de destaque pode não ser compensador.

Outros livros misturam ajuda e empreendedorismo, como “Mais tempo,mais dinheiro”, dos ótimos Christian Barbosa e Gustavo Cerbasi.  Em “Você, dona do seu tempo”, o mesmo Christian  aplica seu método de gestão de tempo ao universo feminino. Thais Godinho nos ajuda a gerenciar metas e objetivos em “Vida organizada”  , fazendo tanto sucesso que gerou o segundo livro “Casa organizada”, ambos muitos práticos e gostosos de ler. Deixo mais algumas dicas, caso o leitor queira se aventurar e não tenha medo de ser julgado menos culto por  lê-los. Afinal , nem só de clássicos vive um leitor.

Tim Ferriss –Trabalhe 4 horas por semana

Hugh Prather- Como ser feliz apesar de tudo

Augusto Cury – Pais brilhantes, professores fascinantes

Marie Kondo- A mágica da arrumação

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2 comentários sobre “AUTOAJUDA

  1. Nadson disse:

    Eu tive boas discussões em sala de aula quando aluno de Arnaldo Chagas sobre a “A ilusão no discurso de auto-ajuda e o sintoma social”. Na época seu trabalho escrito não era nem livro comercial ainda e o autor tinha ate cabelo do tipo “o rascunho de um hippie chegando perto da meia-idade”. Acho que ate essa descrição dava um bom titulo de redação, kkk.
    Apos o decorrer de 26 anos de vida, na época, 3 corações estilhaçados em milhões de pedaços que nunca mais puderam ser reparados, uma faculdade de biologia arruinada por perseguição de um docente mediocre e alguns discentes talibãs do PT, uma cidade que eu amara desde que la chegara aos 16 anos e a abandonara para sempre aos 37 anos e que, por sinal, essa mesma cidade nunca a reciproca fora verdadeira, eu, finalmente, cai no abismo e na escuridão da depressão.
    Quando mais jovem cheguei a experimentar maconha 3 vezes para não perder a companhia da noite. Nunca gostei. Alem do cheiro de bosta de vaca e a nausea que sentia, os sintomas eram de repulsa e depressão. Sempre gostei de cerveja, “pe-sujo” e caipira. Então, cansado de lutar por décadas pelo “certo”, “justiça”, “o bem”, “o amor verdadeiro”; depois de me deitar no chão e esperar que a inanição, o cigarro, o álcool levassem embora o que restasse de mim, por fim, o cocheiro que me levaria embora para o derradeiro abismo do esquecimento e do nada, não veio.
    Levantei-me do chao e entrei em todas as portas das religiões mundanas e da espiritualidade. Por anos li todos os livros, recitei orações, canções, ditirambos por todos os cantos e em nenhum lugar encontrei esse deus de meia-tigela dos fanáticos de todos os credos. Pensei comigo mesmo que se eu não tivesse caráter eu poderia ter sido um multimilionário como Edir Macedo e outros tantos. Mas nunca trabalhei ou fiz algo por dinheiro. Sempre o fiz por amor; por acreditar que era a coisa certa a ser feita. Sempre um romântico incorrigível. Ate o fim.
    Li tudo sobre Seicho-No-Ie, auto-ajuda. Ate Paulo Coelho, antes de começar a sentir nojo e repulsa. Percebi que eu não era pobre o suficiente para aceitar, entender ou me encaixar naquele universo de decadentes, doentes e derrotados. Nada daquilo era verdadeiro, afinal.
    Voltei para a cerveja, o cigarro, o pe-sujo. Vivendo de rotina. Trabalho-casa-trabalho-casa. Envolvia-me nas horas de folga com outros decadentes nos bares perdidos na escuridão da noite. Na urgência dos cios das mulheres que não podiam ficar 24h sem sexo, eu encontrara estranhas companhias ao meu lado quando a loucura da lucidez retornava com o crepúsculo. Quisera eu ser um vampiro muitas vezes ao ser atingido pelos primeiros raios de luzes do sol.

    Ate que certo dia, reencontrei-me com o verdadeiro amor de minha vida. Todas as pessoas horríveis com quem cruzara o caminho, o desgosto pelo mundo e pela vida, sumiram. Entretanto, todas as desilusões, os tropeços, as traições, as mentiras, as pessoas horríveis ajudaram-me, de certa forma, a me reencontrar comigo.
    A verdade é que não existem caminhos prontos no qual basta apenas percorre-los. Nascemos todos no meio de uma floresta fechada. Cabe a nós mesmos abrimos, desde o dia em que nascemos para a sociedade e o mundo, dia após dia, o caminho. A incerteza e a morte são as únicas certezas. Não devemos nos sentirmos intimidados. Nascer eh um ato de transformação. Toda a transformação passa por um processo de dor. Temporária. Uma eternidade para os que a atravessam. Entretanto, inevitável. Todos, mais cedo ou mais tarde, são chamados. Sem rotas de fuga para atras. Ficar na escuridão e nas aguas mornas do sedentarismo, ja não eh mais possível. Por fim, nasci novamente.
    Agora, meus pulmões inflam pela primeira vez. Sinto a dor de nascer. E choro.
    Existem sombras a minha volta. No entanto, reconheço a voz daquela que amo e na qual irei me completar. Ja não sinto mais o medo da depressão, do pânico, do medo de ter medo.
    Comecei uma vida nova. Caminho mais uma vez pelo mundo. Não mais sozinho. Éramos dois e realizamos o sonho de um dia sermos três: Nosso filho nascera. Agora ele ja esta mais velho. Os netos estão no horizonte de um futuro que ja esboça seus primeiros rascunhos
    Provavelmente, ninguém ira encontrar nenhum deus, jesus ou profeta no final de suas vidas. Somos parte do reino animal. O reino não se importa com quem ira viver ou morrer. Ha uma “força” no reino. Invisível e antiga como a noite dos tempos.
    Sinto-me grato.

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  2. Nadson disse:

    Uma pena que deletaste meu comentario. Foi profundamente honesto e uma parte de minha historia. Adveio de algo que realmente vivi numa época em que li sobre auto ajuda.
    Não somos iguais e nem devemos se-lo. Compartilhamos o prazer de caminharmos juntos, cada um em suas cidades, o privilegio de sermos contemporâneos. Teu pai foi uma grande influencia para mim nos anos 70 e 80. Lembro dele contando historias sobre a sua mae e os filhos quando vcs ainda andavam de fraldas. Encontrei esse blog no facebook de teu pai incentivando os amigos dele a visitarem aqui a sua estante virtual.
    Obrigado pela oportunidade de aprovar dois comentários anteriores em outros posts. Sinta-se livre para deleta-los tb. Se não consegues lidar com as diferenças, a diversidade e as adversidades do publico que encontras nesse teu sebo numa cidade perdida no meio no nada, então creio que realmente estive no lugar errado.
    Dostoyevsky viveu numa pequena aldeia e escreveu obras de cunho universal. Fernando Pessoa diria que ele não era do tamanho da altura física do proprio corpo, ele era do tamanho daquilo o que ele via. Creio que ele compreendeu a natureza humana e o universo na singularidade provisória de sua mente e existencia.
    Nos dois somos pessoas ordinárias. Nada de errado nisso. A diferença eh que não sou um empresário do ramo de livros incentivando a leitura aleatória num pais de pessoas alfabetizadas que não leem livros. Na entrada da biblioteca do CCSH/UFSM existe uma frase: Se voce não lê livros, voce não tem muito a dizer.

    Adeus.

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