Leituras

LEITURAS

Minhas leituras mais recentes foram romances  que giravam em torno de livros. Não é incomum que uma história seja ambientada em uma livraria, em uma escola, ou inspirada em vidas  que foram modificadas pelo hábito de ler,  vender ou colecionar livros.

Em  “Mr Pip” o autor Loyd Jones  nos leva até a  ilha  que foi vítima de um verídico  e sangrento bloqueio na década de 90. Lá, um improvisado professor inicia a leitura de uma obra de Dickens com seus alunos. Em meio a dificuldades e privações, a leitura ilumina Matilda e seus colegas com grandes esperanças  em meio ao inferno provocado pela guerra.

Outro estilo totalmente diferente, porém ambientado em uma livraria , encontramos em  “ A livraria 24h do Mr Penumbra”, de Robin Sloan. A crise econômica leva Clay, um web designer desempregado, a trabalhar em uma livraria 24h. Se uma livraria 24h já lhe soa estranha, seu proprietário e seus frequentadores são mais estranhos ainda. Sempre aparecem de madrugada e se isolam nos cantos mais sombrios da loja para apreciar livros que parecem pertencer a uma sociedade secreta, e que os funcionários são proibidos de ler. A curiosidade de Clay nos leva junto a ele para decifrar os mistérios desta livraria.

Em “A Bibliotecária de Auschwitz”Antonio Iturbe  baseia-se em uma história real para nos contar detalhes a respeito de um professor judeu que criou uma escola secreta dentro de um campo de concentração. A biblioteca consistia em poucos volumes, que Dita, uma menina também judia, guardava, arriscando sua vida.

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Sêneca

SÊNECA E A BREVIDADE DA VIDA

Sêneca  nasceu em 4 a.c. e foi um dos maiores intelectuais da antiguidade.  Apesar de ter vivido há mais de dois mil anos, é incrível perceber que seus ensinamentos continuam tão atuais. Em sua obra “Sobre a brevidade da vida”, reflete sobre a natureza finita da vida humana. Preste atenção nos trechos a seguir e reflita sobre a sua própria vida hoje, em 2017.

1.”Não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos uma grande parte dela. A vida, se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas. “   Não são as NOSSAS vidas que andam corridas nos tempos modernos. Nós usamos o tempo sem critérios. Ainda vivemos “nos lamentando sobre o passado, reclamando do presente e nos preocupando com o futuro”.

  1. “As pessoas são dominadas pela paixão de aprender coisas inúteis”. Não costumamos nos perguntar  porque assistimos  vídeos de recordes bizarros, curiosidades inúteis, buscamos saber os pormenores de acidentes , tragédias climáticas e a previsão do tempo diária aqui e no resto do mundo. Sem falar na vida das celebridades, fofocas e grupos de whatsapp que participamos só para não sermos excluídos.

3.” Ninguém permite que a sua propriedade seja invadida. Não se encontra ninguém que queira dividir sua riqueza. No entanto, permitem que os outros invadam suas vidas e a distribuem entre muitos.”  Não perdemos uma oportunidade de expor nossas vidas para nos sentirmos apreciados.Se Sêneca “postasse” isso em suas redes sociais hoje(duvido que as tivesse), iriam dizer que ele é recalcado ou invejoso. Tempos sombrios.seneca

RESSACA LITERÁRIA

18952579_1385252408220768_8258706915276992440_nQuem lê muito costuma terminar um livro e já começar outro, ou ler vários ao mesmo tempo. Sempre está com aquela pilha de livros aguardando ao lado da cama ou da mesa de trabalho (ou pela casa toda). Carrega um livrinho na bolsa, e está sempre pronto para avançar mais algumas páginas, a qualquer oportunidade.  Somos aqueles que não lamentam tempo perdido em filas de banco e salas de espera de médicos. Desde que tenhamos nosso livro, tá tudo bem. E nenhuma revista “Caras” antiga nos pegará desprevenidos. Fazemos aquela cara de triunfo e até comemoramos aquele horário livre para ler. Quando a leitura é boa, torcemos que a nossa vez demore a chegar, ou ao menos não nos interrompa no meio do capitulo.

Temos sempre listas e mais listas. Temos metas que queremos cumprir e nunca cumprimos. Eu me propus ler  ao menos um clássico, um livro escrito por uma autora mulher, um infantil ou juvenil, um de autor brasileiro e um de desenvolvimento pessoal por mês em 2017. O restante seria livre. Cumpri janeiro e fevereiro, mas depois outros livros foram me chamando aqui no sebo, li até os solicitados pela escola dos meus filhos e esqueci da meta. Afinal, literatura também é diversão, né? Listas e metas são boas, como um alvo, uma diretriz, mas não podem nos engessar e tornar a leitura chata ou um fardo.

E temos também as famosas ressacas literárias: momentos em que, após muitas leituras boas, nada nos agrada. Ficamos azedos, rabugentos, e não há comédia romântica que nos adoce. Tentamos remédios conhecidos, best-sellers, livros recomendados. Até que um deles nos fisga novamente- e tudo recomeça. Então puxamos o caderninho e fazemos planos, recomendações aos amigos, artigos de jornal. E respiramos aliviados.

LIVROS E CULINÁRIA

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Quando pensamos em livros e culinária, logo nos vêm a cabeça os velhos (e novos) volumes com receitas de todos os tipos. Eu amo os livros antigos de culinária, onde as receitas começam com: “mate uma galinha grande e gorda…”, e todos os ingredientes estão em medidas que já não reconhecemos. Hoje em dia pegamos o celular e temos todas as receitas do mundo, com vídeos e avaliações disponíveis. Porém, parece que a receita sem “alma” não nos cativa tanto quanto aquela que carrega toda uma memória afetiva.

Meus livros preferidos sobre o tema são aqueles  em que os autores usam da receita para contar um pouquinho de sua vida. Ana Holanda lançou recentemente  “Minha mãe fazia-crônicas e receitas saborosas e cheias de afeto”, em  que ela abre as portas de sua casa e guia o leitor por uma jornada sentimental através da comida. Cada crônica é acompanhada por uma receita que nos transporta para a infância, nos lembra daqueles tempos de mesa farta, família e amigos reunidos.

Sonia Hirsch é jornalista e escritora, conhecida por seus trabalhos a respeito da alimentação como base para a saúde. Em seus livros “Paixão  emagrece, amor engorda”, ”Meditando na cozinha” e “ Amiga cozinha” nos traz o melhor de suas crônicas e receitas. Em toda a sua obra nos faz desconfiar da indústria da doença – que prospera escondida sob a palavra saúde.

A comida está presente em nossas vidas o tempo todo. Como não estaria  na literatura? Livros, boa culinária, boas lembranças. Está feito o convite, é só aceitar, sem cerimônia.