José Mauro de Vasconcelos

JOSÉ MAURO DE VASCONCELOS

O escritor José Mauro de Vasconcelos foi um grande sucesso de vendas em meados dos anos 60 e 70. De família  pobre, passou por muitas dificuldades. Queria ser nadador profissional. Foi treinador de boxe, agricultor, operário, garimpeiro, carregador de bananas, ator, locutor de rádio, escritor. Iniciou diversos cursos superiores, mas foi como escritor que encontrou o sucesso. Hoje te convido a  conhecer ou reler a obra desse grande escritor  brasileiro.

Quem passou dos quarenta anos tem, com certeza, lembranças do livro “O Meu pé de laranja lima”. Quem não chorou com a sensibilidade com que a infância de Zezé é retratada? A pobreza, a solidão e o desajuste social  vistas pelos olhos ingênuos de uma criança de seis anos nascida em uma família pobre e numerosa. Por meio de conversas com seu pé de laranja lima, revela seus sonhos e desejos, mostrando-nos um traço da infância do próprio autor. Aclamada pelo público, a obra de José Mauro é ainda muito procurada nos sebos do Brasil, e segue sendo queridinha dos leitores. Entre os mais vendidos estão “Banana brava”, “Rosinha, minha canoa”, “ Coração de vidro” e “As confissões do Frei Abóbora”.

“Rosinha, minha canoa é um livro simples e puro, que nos fala de um sonho  que dorme em todos nós, o sonho de voltar à natureza”, disse Herculano Pires  no Diário da Noite –SP, em 1963. O mesmo Diário, em 1968, nos diz  “… pois o livro(O meu pé de laranja lima) é tido como  uma espécie de Bíblia Sagrada para ajudar os adultos  a entenderem a criança. Para ajudar quem vive bem a compreender o que é Papai Noel para uma criança pobre”.pé

Anúncios

LEITURA LEVE

LEITURA LEVE

Passamos da metade do ano. Nossas metas e promessas defrase-mary-poppinsleitura começam a se tornar uma lembrança distante mais uma vez não cumprida. Hoje trago sugestões leves para te ajudar a impulsionar a leitura ainda em 2017.

“O clube do tricô”, Kate Jacobs. Georgia é dona da Walker & Daughter, uma loja de produtos para tricô em Nova Iorque. O que começou como uma série de encomendas de suéteres e cachecóis acabou se transformando na loja sensação da temporada. A proprietária aceita receber as clientes uma vez por semana para aulas de tricô. As mulheres  passam a ser atraídas por muito mais que pontos e laçadas, trazendo seus sonhos e desafios pessoais. Tornam-se grandes amigas e descobrem que fizeram dele muito mais do que um clube. A loja torna-se um lar.

“ A garota italiana”, Lucinda Riley. Aos 11 anos, Rosana conhece o cantor Roberto, uma estrela em ascensão no mundo da ópera. Apaixonada, se dedica também ao canto lírico até que ambos se encontram nas salas de concerto mais famosas do mundo, dividindo o palco e o destino. Uma linda historia de amor, obsessão e música.

“As queridinhas do meu marido”, Bridget Asher. Lucy tem de enfrentar a doença terminal de seu marido e ainda conviver com a descoberta de sua infidelidade. Uma noite, exagera na bebida e resolve ligar para todas as “queridinhas” que tiveram casos de amor com Artie e  convidá-las a dividir o fardo dos cuidados com o doente e acertar as contas com ele. Para sua surpresa, muitas delas aparecem  e com algumas Lucy forma uma espécie de família.

DEDICATÓRIAS

patins

Quando damos um livro de presente  é comum escrevermos uma dedicatória. Queremos dividir um livro que nos impacta positivamente  com as pessoas que nos são mais queridas, e o enviamos com uma mensagem adicional de carinho, como se fosse uma receita médica, uma recomendação de leitura e bom uso.

O livro, como um bem material que é, segue sua própria trajetória, e acaba sendo perdido, doado, vendido. E aquela dedicatória tão carinhosa vai junto. Triste? Não acho. Uma das melhores experiências que podemos ter comprando livros usados é justamente compartilhar a memória dos leitores anteriores. Sempre fotografo as dedicatórias, compartilho em minhas redes sociais e fico imaginando em que circunstâncias foram escritas.  Amores que caíram no esquecimento, fases da vida que passaram, interesses que já não fazem parte de nossa vida. Todos eles, com sorte, vêm parar nos sebos. Quem compra em sebo costuma apreciar justamente essa memória, e vai vê-la também com carinho. Às vezes encontro bilhetes, receitas, cartas, flores secas. “Tia Maria, o sorvete estava delicioso, papai vem te buscar na quinta”. “Este livro foi encontrado na lixeira do
Hospital Escola de Itajubá” . “Rafael, leia um capítulo por dia”. “Isaura, felicitações pela formatura no ginásio”.  “Parabéns por ter vencido o concurso de redação”.

Décadas se passaram desde que os volumes foram ofertados. Seus donos podem até já nem estar entre nós. Porém, algum leitor ainda pode sonhar  e imaginar aquela vida. Alguns, mais visionários, deixam recados objetivos para os próximos leitores. Deixe também. É uma forma de deixar seu legado como leitor.

JOGO DO CONTENTE

POLLY

Existem livros que nunca saem de moda. O tempo passa  e o interesse continua firme . Um exemplo? É só dizer: “Recebi Pollyanna, de Eleanor Porter”,e meu Whatsapp começa a  se encher de mensagens interessadas. Confesso que nunca havia lido, mas todo esse interesse  despertou minha curiosidade tardia.

Pollyanna fica órfã e vai morar com um parente, em uma cidade distante. Sua vida  era  pobre  como filha de um pastor, mas na casa de sua rica tia, rodeada de criados e jardins, experimentou a miséria da rejeição. Seu pai havia lhe ensinado uma maneira de lidar com as adversidades:  fazer o jogo do contente. Para toda a situação ruim, sempre ver o lado bom, por mais difícil que fosse.  Eis que a menina contagia todos que a cercam, ensinando aos doentes, aos carrancudos, aos rabugentos, aos magoados uma maneira singela de enfrentar a vida com um sorriso no rosto.

Descobri então o segredo do sucesso dessa personagem tão querida. Em tempos de crise, desemprego, de bombardeio de notícias ruins, como viver sem fazer o “jogo do contente”? Como empreender, como criar filhos, como manter um casamento em tempos de notícias alarmantes e relacionamentos líquidos? Em muitas ocasiões, só respirando fundo e fazendo um esforço consciente para sermos gratos pelo que temos.

“O que as criaturas querem é encorajamento. Em vez de censurar  os defeitos de um homem, falai às suas  virtudes. Procurai tirá-lo da senda dos maus hábitos. A influência de um belo caráter é contagiosa, e pode revolucionar uma vida inteira. As criaturas irradiam o que trazem no cérebro e nos corações. Se um homem se mostra gentil e serviçal, seus vizinhos pagarão na mesma moeda e com juros… quem procura o mau, é certo que o encontra,. Quando alguém  procura o bom, encontra o bom”.