NATAL

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Novembro já era, e começamos a ouvir e falar as mesmas frases de sempre: -o ano passou muito rápido!  -o tempo voa! – a gente pisca e já está em dezembro… oh vida, oh céus , oh azar.  As metas, projetos, dietas, leituras ficam em segundo plano e serão desenterradas por breves momentos entre o início do ano e o Carnaval, para a maioria das pessoas. Nossos cérebros adoram novidades. O tempo voa porque fazemos sempre o mesmo trajeto, repetimos as mesmas rotinas mesmo quando poderíamos modificar algo facilmente. Nas festas de fim de ano, a sensação é geral: estamos sempre fazendo a vontade dos outros. Comendo, comprando e nos repetindo de modo automático, como se não tivéssemos escolhas.

Há alguns anos descobri um livrinho simples chamado “Descomplique seu Natal-100 maneiras de aproveitar melhor as festas de fim de ano” , De Elaine St. James. É um manual prático de sobrevivência à correria das festas de final de ano. Após o primeiro semestre quando você paga os impostos, o material escolar, as dívidas  das férias e do Natal passado e pensa que vai ter uma  boa fatia de ano para desfrutar calmamente, começa a batalha para decidir quem vai ceder a casa, quem vai cozinhar. E nada de estreitar laços, ter paz e celebrar o nascimento de Cristo. A autora já vendeu milhões de livros sobre como simplificar a vida em geral ( um sinal de que há muita gente sedenta por isso). Alguns dos conselhos são: lembre-se  do que você mais gostava em seus Natais de criança. Dê presentes que caibam no seu orçamento e não entulhem a casa de quem vai ganhar. Simplifique, esqueça o perfeccionismo e as tradições malucas das quais ninguém mais gosta. Vamos nos permitir. Relaxe aí com seu jornal, pois o mundo não vai acabar no Natal.

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IÇAMI TIBA

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IÇAMI TIBA

O saudoso Dr. Içami Tiba foi um psiquiatra, educador e escritor. Psicoterapeuta de adolescentes e famílias com mais de 77 mil atendimentos feitos, autor de 29 livros com mais de 4 milhões de exemplares vendidos. Palestrante com mais de 3400 palestras proferidas segundo sua página, hoje administrada  pelos seus filhos.

Todos os pais e educadores deveriam ter contato com sua obra. Em tempos de “ter de esperar o reizinho da casa ou da escola decidir tudo a seu tempo”, Dr. Tiba  é uma luz que brilha e ilumina o caminho. Faz enxergar a beleza que é educar, ajudar com amor verdadeiro, o amor que ensina e também frustra. Repito sempre uma frase  que aprendi com ele há muitos anos: “quem não aprende ganhando, aprende perdendo”. Quer verdade maior? Um brinde à lucidez que persiste em uma obra mesmo após a morte do seu autor.

“O comportamento humano não é predeterminado, como nos animais. Temos o poder de mudar o futuro, de mudar nosso comportamento já no próximo momento. Podemos mudar por amor, por querer bem a uma pessoa amada, a um filho, à humanidade.”

“Os casais que só se uniram para o “tudo bem”  vão se frustrar muito com qualquer problema que atinja o filho. Quanto aos demais, que se comprometeram a enfrentar a dois o bom e o ruim, vão somar forças para superar juntos o problema, como família unida”

“Filhos poupados por pais superprotetores geralmente são folgados esperadores, e não empreendedores”.

“Embaixo de um folgado tem sempre um sufocado”

BIOGRAFIAS

Temos uma natural curiosidade acerca da vida dos famosos, sejam eles artistas, políticos, personalidades que influenciaram a história mundial, empresários bem sucedidos e outros. Muitas biografias estão sempre sendo lançadas, para todos os gostos. Às vezes não são autorizadas, por vezes até o protagonista do livro  tenta retirar na justiça o direito à publicação ( o que faz aumentar ainda mais a avidez do público).  Alguns escrevem sua própria história – e aí acabam dando ao livro um tom de constante autopromoção- o que a mim não agrada.

Recomendo hoje a biografia de Elon Musk , cuja autora é a jornalista de tecnologia  Ashlee Vance. Ela  mergulhou fundo em pesquisas e entrevistas a respeito do CEO da SpaceX e da Tesla, empresas que  parecem  estar moldando nosso futuro. Ela investigou em detalhes a trajetória muitas vezes instável e controversa das empresas de Musk  e traçou um retrato impressionante  do personagem por trás dos carros elétricos, painéis e baterias de energia solar  e foguetes espaciais construídos com recursos privados e a partir do zero, muito mais baratos do que os já lançados pelas agências governamentais. Entre suas próximas metas esta a colonização de Marte. Se ele é realmente um visionário ou simplesmente um lunático, só tempo dirá. A leitura de sua biografia com certeza é inspiradora em uma época como a atual, em que a maioria das empresas prefere o lucro fácil ao risco de desenvolver tecnologias radicalmente novas.

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NOSSAS NOITES

 

 

Filmes e séries geralmente retratam os idosos como caricatos, fazendo pouco caso de suas habilidades e tratando o envelhecimento em tom de chacota. Talvez seja a forma de lidar com o medo do envelhecimento, presente em quase todos nós. Dias atrás encontrei uma frase -que considerei muito bem humorada -de Edna Ferber que dizia: “ Envelhecer é como morrer afogado: uma sensação deliciosa, depois que você para de se debater.” Hoje trago uma dica para quem gosta de ver os idosos em sua melhor forma. Aceitando o envelhecimento com suas dores e delícias!

Recentemente a Netflix adaptou para as telas o livro “Nossas noites”, de Kent Haruf, trazendo Jane Fonda e Robert Redford em grandes atuações.  Addie faz uma visita inesperada a seu vizinho, Louis . Viúvos, os dois lidam diariamente com noites solitárias em suas grandes casas vazias. Addie propõe a Louis que ele passe a fazer companhia a ela ao cair da tarde para ter alguém com quem conversar antes de dormir. Embora surpreso com a iniciativa, ele aceita o convite. A vizinhança fofoca, os familiares querem dar palpites. Aos poucos, os dois percebem que manter essa relação peculiar talvez não seja tão simples quanto parecia. O filme retrata com ternura e delicadeza o envelhecimento, as segundas chances e a emoção de redescobrir os pequenos prazeres da vida — que pode surpreender e ganhar um novo sentido mesmo quando parece ser tarde demais.

 

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O PAPEL SEGUE FIRME

EBOOK

A revista Veja desta semana  trouxe uma matéria em que fala sobre a gigante Amazon e o lançamento de sua loja  de eletrônicos  no Brasil.  Destaca o fato de que no mercado de livros, o papel segue firme: “há dez anos , quando a Amazon lançou seu leitor digital, muitos profetizaram  que era o fim da indústria editorial tal qual a  conhecíamos, pois haveria um grande abalo com uma queda drástica na venda de livros físicos. O vaticínio não se concretizou. De 2014 para 2016, as vendas de e-books só caíram. No Brasil , representam  em torno de 1% do total das vendas. As vendas de livros em papel, enquanto isso, acumulam quatro anos seguidos de alta no mercado americano. O desinteresse pelos digitais é visto  como uma resposta do público  a um excesso de aparelhos eletrônicos   em sua vida, que já estão gerando malefícios físicos, como o aumento dos casos de miopia. Uma das estratégias das editoras foi aumentar a velocidade de produção das obras, permitindo que os títulos cheguem rapidamente às estantes. Trabalhar com obras esteticamente mais bonitas, com capa dura, também  atraiu mais consumidores.”

Sempre sou questionada se acho que as pessoas ainda leem. É claro que acho! O livro nos faz embarcar em outro ritmo, bem diferente do que vivemos a maior parte do dia. E , ainda que o texto seja o mesmo, um e-book  não mexe tanto com nossos sentidos. Tato, olfato, visão são embalados pelo papel. Leia sempre, pois ler nunca vai sair de moda. Eu aposto.

DIA DAS CRIANÇAS

dedo verde

O dia das crianças passou há poucos dias. Logo estaremos com as vitrines forradas de sugestões para o Natal.  Entre brinquedos, celulares, aquele dinheiro para comprar um jogo ou outros videogames (sempre tem um sendo lançado), será que um livro ainda agradaria como presente? A leitura ainda tem muito fôlego entre crianças e adolescentes, sim. Vamos a algumas sugestões? Assim você incrementa aquele presente tecnológico com um belo livro.

  1. O menino do dedo verde, Maurice Druon – Era uma vez Tistu, um menino diferente de todo mundo. Onde seu dedo tocava, cresciam plantas e flores. As proezas de seu dedo verde eram um segredo entre ele e o jardineiro Bigode. Trata de questões como cidadania, ética, conceitos de convívio social, além de ter sido pioneira em tocar no tema da ecologia.
  2. A invenção de Hugo Cabret, Brian Selznick –  Hugo Cabret é um menino órfão que vive  escondido na central de trem . Conhecendo passagens secretas, Hugo cuida dos relógios do local. Sua sobrevivência depende do anonimato: ele guarda um enorme segredo que é posto em risco quando donos de lojas do local descobrem sua presença.
  3. O balão amarelo, Lucilia Junqueira de Almeida Prado – Conta a historia de dois jovens que, entediados durante as férias, fazem uma proposta maluca à sua avó: costurar um balão para que os gatos dessem um pequeno passeio pelos céus. Algo inesperado acontece e todos acabam voando, sendo levados em direção à selva e às mais inesperadas

A QUE HORAS VOCÊ LÊ?

coelho

Muitas pessoas me dizem que não conseguem ler, pois caem no sono logo após as primeiras tentativas. Meus filhos dizem isso seguidamente. Você acorda,, espera em filas, consultórios, transporte público quase sempre olhando seu celular. Jogando, batendo papo nas redes sociais. Em seu tempo livre, a televisão é  soberana. Afazeres domésticos se multiplicam como mágica. Fora as muitas horas de trabalho propriamente dito. A rotina nem sempre é fácil, todos sabemos. E , quando , exaustos, deitamos em nossas camas queremos colocar a leitura em dia. Pouco provável que mantenhamos a atenção, não é mesmo? Por melhor que seja o livro, nosso corpo pede descanso.

Por que não aproveitarmos  um pouco do nosso horário de lazer ou tédio para ler? Com o cérebro menos cansado, garanto que a leitura irá fluir  e te prender com muito mais facilidade. Você, leitor de jornal, já deve estar um passo a frente.  Em minha opinião, nossas famílias vivem muito agitadas, dormindo tarde e acordando cedo. Sempre ocupadas e em um ritmo frenético desnecessário, como cães correndo atrás do próprio rabo. A leitura pode ser um elixir poderoso para nos acalmar, nos afastar das notícias ruins e estimular a nossa criatividade. Não a deixemos para os últimos minutos do dia. Ela merece mais destaque em meio a nossas atividades. A saúde mental agradece.

FRANKENSTEIN

frank

Mary Shelley casou-se com o poeta Peter Shelley aos 17 anos, logo após ele ficar viúvo. Em suas viagens com amigos gostavam de discutir  teorias a respeito do sobrenatural. Contam que certa vez Mary relatou aos amigos o sonho que teve na noite anterior: uma criatura horrível dava sinais de vida quando se ligava uma maquina potente a ela. A conversa se estendeu pela madrugada, versando sobre fantasmas e vampiros.  Por fim, todos aceitaram o desafio proposto por um dos amigos: cada um deles deveria escrever uma historia sobrenatural e submetê-la a julgamento. Assim nasceu uma das historias mais conhecidas por todos nós, Frankenstein. O que teria sido uma brincadeira para entreter amigos tornou-se um grande clássico.

Resgatado á beira da morte por um navio, o cientista Victor Frankenstein narra sua historia ao Capitão:  ainda estudante, descobriu como dar vida a corpos inanimados e  construiu um ser gigantesco. Assim que atinge a sua meta, percebeu o erro que cometeu e acabou abandonando a sua criação.
A criatura sobrevive e se refugia junto a uma família, onde aprende a falar, entender  os sentimentos dos humanos e perceber que não os tem. Para se vingar, persegue seu criador exigindo uma companheira.

Segundo matéria na revista Superinteressante, Mary Shelley criou uma obra  que questiona a moralidade e a responsabilidade da ciência. O tema não perdeu sua atualidade: pesquisas com células tronco e clonagem, por exemplo, continuam  temas muito polêmicos. O livro tem várias adaptações para o cinema e continua sendo uma das obras mais lidas no mundo.

DEVAGAR

DEVAGAR

A pressa é inimiga da perfeição. Em seu livro “Devagar”, Carl Honoré  nos mostra como um movimento mundial está desafiando o culto da velocidade. Queremos explorar ao máximo nosso tempo, seja dirigindo, comendo, trabalhando, namorando, nos divertindo ou criando filhos. A cada nova tecnologia que nos chega, pensamos que teremos mais tempo livre, mas o que conseguimos? Mais invasão e inconveniência. Notificações apitando o tempo todo, aquele celular que toca em qualquer horário. Como cães adestrados, atendemos ao apito do nosso mestre a toda hora. Será possível  termos um pouco menos de pressa? Afinal  não estamos matando tempo, o tempo é quem nos mata.

Com dez capítulos abordando da comida à musica (muito interessante a análise que faz do andamento da musica clássica executada  cada vez mais rápido a fim de comprovar o virtuosismo de alguns interpretes), da criação de filhos ( pais exigindo tarefas demais das escolas , crianças com agendas lotadas) à formação de universitários, da medicina  às vantagens de trabalhar menos, do lazer ao transito que mais parecem corridas , inclusive em cidades pequenas como a nossa. Uma bela e muito bem fundamentada  reflexão para quem quer viver menos acelerado e mais equilibrado, criativo, produtivo e saudável, descobrindo energia e eficiência onde menos espera. Em Sob pressão- nenhuma criança merece superpais, o mesmo autor desvenda a preocupação excessiva  com o desempenho infantil em um mundo cada vez mais competitivo.

DEVAGAR, Carl Honoré. Editora Record

SOB PRESSÃO- nenhuma criança merece superpais, Carl Honoré, Editora Record.devagar

QUEM CONTA UM CONTO…

clarice

Quem conta um conto, aumenta um ponto. Vale para o vizinho que sofreu uma queda sem maiores consequências e que, na boca do povo, acabou tendo um AVC, estava a beira da morte ou até já havia passado desta para outra melhor. Se acontece até no boca a boca, imagine em  nossa amada internet, onde em um clique propagamos notícias falsas, fotos com montagens “comprovando” o fato e tudo o mais que a imaginação e a maldade permitirem. Quem tem mais malícia percebe logo, mas ninguém esta livre de cometer uma injustiça propagando fatos, fotos e frases que depois parecem até piada.

Quem nunca leu a célebre frase atribuída a Albert Einstein (e a mais uma meia dúzia de pessoas): ”O único lugar em que o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”?  Só que Einstein falava alemão como língua principal! E mesmo que alguns digam que ele falava também inglês e outras línguas, é pouco provável que não levasse em conta que as palavras  alteram sua ordem no dicionário dependendo do idioma.

Papa Francisco, Caio Fernando Abreu e principalmente Clarice Lispector são as  vítimas preferidas de nossas redes sociais. Às vezes extravasam os textões no Facebook e vão parar em agradecimentos de teses, monografias, trabalhos de conclusão de cursos, convites de casamento. Como saber se uma citação é verídica? Pesquisar e ter amigos críticos e bem informados são algumas das saídas. E também não se levar muito a sério, afinal tudo vale a pena se a alma não é pequena!